No Dia Internacional dos Povos Indígenas, SBP faz apelo pela saúde da criança e do adolescente indígenas

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), com o apoio de seus mais de 25 mil associados, elaborou um documento oficial, intitulado "Carta de Manaus: Em Defesa da Saúde da Criança e do Adolescente Indígenas", que será direcionado aos Ministérios da Saúde e dos Povos Originários. O documento foi construído a partir das discussões do IX Fórum Nacional em Defesa da Saúde da Criança Indígena e do 1º Fórum de Saúde da Criança e do Adolescente Indígenas da Região Norte, realizado em junho, e anunciado nesta quarta-feira (9), Dia Internacional dos Povos Indígenas. 

A "Carta de Manaus" estabelece cinco eixos de debates, alinhados com as normativas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), que definem prioridades de atuação para garantir todos os direitos das crianças e dos adolescentes indígenas, bem como de suas famílias. São eles: Direito à vida; Rede de Atenção e Imunização; Desenvolvimento Saudável e Prevenção à Violência; Adolescente - com garantia do acesso à educação e à saúde contínua e de qualidade; e Nutrição - estimular a alimentação saudável de acordo com sua cultura e costumes.

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Conforme explicou o presidente da SBP, Dr. Clóvis Francisco Constantino, a Carta foi desenvolvida em resposta à preocupação dos pediatras com as questões de saúde das crianças e adolescentes indígenas. Seu objetivo é incentivar discussões em níveis governamentais e buscar melhorias na qualidade de atendimento a esta população tão vulnerável.

"Nós, como pediatras, somos os profissionais mais qualificados para cuidar da saúde de todas as crianças e adolescentes. É nosso dever ter um olhar atento também para os povos originários. Enviaremos o documento ao Ministério da Saúde, ao Ministério dos Povos Indígenas e a outros órgãos governamentais para que possam avaliar e implementar as ações sugeridas. Não é aceitável que a população pediátrica indígena continue a ser negligenciada estruturalmente pelo poder público", salienta.

A Carta da SBP esclarece que, ao promover a inclusão e garantir os direitos das crianças e dos adolescentes indígenas e suas famílias, o Governo Federal estará contribuindo para o fortalecimento das comunidades originárias do Brasil como um todo. 

"Essas crianças fazem parte do futuro do país e devem crescer em um ambiente que valorize suas identidades e as prepare para enfrentar os desafios do mundo contemporâneo, sem perder suas raízes culturais. A proteção à saúde não é apenas um imperativo moral, mas também um requisito legal. É dever do Estado e da sociedade como um todo trabalhar em conjunto para que esses direitos sejam respeitados, promovidos e protegidos, proporcionando um futuro mais saudável e digno", afirma o texto.