Novo documento aborda avaliação do desenvolvimento de bebês de 2 a 4 meses


O Departamento Científico de Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou na última sexta-feira (12) o Guia Prático de Atualização “Campanha da Caderneta da Criança: Avaliação do Desenvolvimento dos 2 aos 4 meses”. O texto descreve os aspectos motores, linguísticos, sociais e cognitivos dos bebês nessa faixa etária. O objetivo é que o pediatra possa avaliar de forma rápida e fácil o bebê nas consultas de puericultura, familiarizando-se com os aspectos do desenvolvimento infantil.

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Em relação à avaliação do desenvolvimento motor dos dois aos quatro meses, o documento explica que, após os dois meses de vida é possível observar um grande avanço no aperfeiçoamento das habilidades motoras dos bebês. Nesse sentido, os reflexos primitivos vão desaparecendo para dar lugar a movimentos intencionais e o bebê segue progredindo invés de persistir com movimentos aleatórios ou reflexos.

Aos dois meses de vida o bebê deve ser capaz de manter a cabeça firme ao ser segurado pelo tronco, além de manter suas mãos abertas com mais frequência, devido à diminuição do reflexo de preensão, e começa a estender a mão em direção ao que lhe interessa, embora ainda não seja capaz de agarrar o objeto, o que fará somente aos quatro meses.

AVALIAÇÃO SENSORIAL – O lactente de dois meses deve ser capaz de reagir ao contato visual. Para tanto, o pediatra deve checar esta habilidade na consulta elevando o bebê a 45 graus, ele fará contato visual mais demorado e responderá com sorriso social. Se o bebê não responde a este estímulo, o pediatra deve orientar os pais a estimular o bebê e testar novamente em um mês; caso persista a alteração, avaliar o encaminhamento ao oftalmologista ou ao neuropediatra.

Já aos quatro meses, o bebê deve ser capaz de seguir um objeto em movimento lento horizontal, colocado à linha dos olhos, a 20 cm de distância, em uma amplitude de 180 graus. Além disso, A audição também deve ser testada aos dois e aos quatro meses em todas as consultas. Nessa idade o lactente vira para o lado da fonte do barulho.

AVALIAÇÃO DA LINGUAGEM – Deve ser dada uma atenção especial a esta importante habilidade da criança, “visto que o atraso ou déficit qualitativo da linguagem é um importante marco de transtornos do desenvolvimento, preenchendo 80% das queixas dos pais no consultório do pediatra”.

Aos dois meses, os bebês iniciam uma linguagem mais pragmática e não apenas expressões de choro ou grito. Nessa idade, a produção verbal já esboça um som de vogal e pode-se perceber o bebê brincando com os próprios sons produzidos. Aos quatro meses o lactente já reconhece os diversos padrões sonoros, como repreensão ou elogios por parte do cuidador, respondendo com mudança da fisionomia para alegria ou tristeza.

AVALIAÇÃO SOCIAL/PSICOSSOCIAL E COGNITIVA – Aos dois meses o bebê já apresenta reciprocidade afetiva, vista pelo sorriso social ao ser estimulado afetuosamente. Ele olha direta e demoradamente para a mãe ao ser amamentado, reage positivamente ao ser estimulado, sorrindo e emitindo grunhidos, demonstra satisfação nas atividades prazerosas, como aninhar-se ao corpo do cuidador.

Já em relação à avaliação cognitiva, o desenvolvimento cognitivo, segundo Piaget, situa o bebê de dois a quatro meses nas reações circulares primárias, ou seja, ele aprende utilizando, repetidamente, experiências com o meio ambiente para ir aperfeiçoando seu aprendizado prévio.

“O pediatra precisa ficar atento a como os bebês de dois a quatro meses se manifestam quando observados no consultório, se são ativos, têm tônus adequado, como reagem ao barulho, se há reciprocidade afetiva, se apresentam descobertas nas sensações do próprio corpo e se estabelecem comunicação social ao olhar demorado e alternas silêncio com balbucios”, conclui o texto.


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