Pediatras e outros especialistas reafirmam segurança e eficácia da vacina HPV


As Sociedades Brasileiras de Pediatria (SBP), Imunizações (SBIm), Infectologia (SBI), a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo) e a Associação Brasileira de Patologia do Trato Genital Inferior e Colposcopia (ABPTGIC) divulgaram comunicado para reforçar a segurança e eficácia da vacina HPV, que é alvo constante de boatos e fake news.

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Mais de 270 milhões de doses das vacinas que previnem o HPV já foram distribuídas. O relatório mais recente do Comitê Global sobre Segurança de Vacinas da Organização Mundial da Saúde (GACVS – OMS, na sigla em inglês), reitera que as vacinas HPV não estão associadas a aumento de eventos adversos graves quando comparadas ao grupo placebo ou outras vacinas como controle, exceto anafilaxia, cuja incidência é de 1,7 caso/milhão de doses, semelhante à de outras vacinas.

Paralelamente, um estudo realizado entre 2005 e 2010, com mais de 21 mil adolescentes vacinadas contra o HPV e 180 mil não vacinadas, demonstrou que a vacina não induz comportamento sexual de risco. O receio era apontado por muitos responsáveis como razão para não vacinar adolescentes.

“A maioria das reações adversas são locais: dores, vermelhidão e inchaço no local da aplicação. Manifestações sistêmicas, como fadiga, febre, urticária, erupções na pele, síncope (desmaio), dores musculares, articulares e de cabeça também podem ocorrer, com menos frequência”, explica o presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP e diretor da SBIm, dr. Renato Kfouri.

Em 2014, teve ampla repercussão na mídia o caso de três adolescentes de Bertioga, no litoral de São Paulo, hospitalizadas com fraqueza muscular nos membros inferiores horas depois de serem vacinadas. Todas as jovens se recuperaram em menos de uma semana, sem sequelas ou necessidade de tratamento específico.

Os exames realizados durante o período de internação — físicos, de imagem (ressonância magnética/tomografia), eletroencefalograma e eletroneuromiografia — descartaram qualquer consequência física ou orgânica. A conclusão foi a de que os casos se trataram de reação psicogênica pós-vacinal, comum nesse grupo etário.

DESINFORMAÇÃO – A circulação de discursos equivocados sobre vacinas — a que previne HPV é um dos principais alvos — preocupa. Recentemente publicado, o estudo “As Fake News estão nos deixando doentes?”, feito pela Avaaz em parceria com a SBIm, demonstrou que aproximadamente 67% dos brasileiros acreditam em alguma informação imprecisa sobre vacinação.

Há, ainda, evidências de que as notícias falsas favoreçam a decisão de não se vacinar. Entre os entrevistados que admitiram não se vacinar, 57% relataram pelo menos um motivo considerado como desinformação.

Os mais comuns, nesta ordem, foram: “não achei a vacina necessária (31%)”; “medo de ter efeitos colaterais graves após tomar uma vacina (24%)”; “medo de contrair a doença que estava tentando prevenir com a vacina (18%)”; “por causa das notícias, histórias ou alertas que li online (9%) e “por causa dos alertas, notícias e histórias de líderes religiosos” (4%).

CÂNCER - A vacina HPV atua contra o câncer, uma vez que o vírus está associado a 99% dos tumores malignos no colo do útero, pênis (63%), ânus (91%), vagina (75%), orofaringe (72%) e vulva (39%). Além disso, pode acarretar verrugas genitais, um importante problema de saúde pública. A nota conjunta foi divulgada na quinta-feira (21).

Oferecida gratuitamente pelo Programa Nacional de Imunizações (PNI) desde 2014, a vacina HPV é capaz de prevenir 90% das verrugas genitais e 70% dos casos de câncer no colo do útero — doença que, de acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), matou 6.385 mulheres em 2017. A estimativa de novos casos é de aproximadamente 16 mil por ano.

Estudos envolvendo milhões de pessoas já comprovam o benefício da vacinação. De cinco a oito anos após a introdução da vacina quadrivalente no sistema público em 14 países houve redução de prevalência do HPV 16 e 18 em 83% nas meninas de 13 a 19 anos; 66% nas mulheres de 20 a 24 anos; e 37% nas mulheres de 25 a 29 anos. Também foi registrada queda nas lesões pré-cancerosas grau-II no colo do útero (NICII): 51% em meninas de 15 a 19 anos; e 31% em mulheres de 20 a 24 anos.

“As vacinas que previnem o HPV são seguras, eficazes e capazes de prevenir o câncer. Por isso, ações que busquem desacreditá-las, especialmente vindo profissionais da saúde, devem ser vistas com grande preocupação, pois se tratam de um desserviço e configuram uma ameaça à saúde pública”, enfatiza a presidente da SBP, dra. Luciana Silva.

Já o presidente da SBIm, dr. Juarez Cunha, lembra que o uso de camisinha diminui a chance, mas não elimina a possibilidade de infecção. “É preciso trabalhar arduamente para conscientizar a população e aumentar nossas coberturas vacinais”, declara.

*Com informações da Assessoria de Imprensa da SBIm


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