SBP firma parceria com Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE) para capacitação dos pediatras

A produção conjunta de artigos científicos envolvendo o dia a dia do cirurgião pediátrico e do pediatra é uma das metas da parceria que será feita entre a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) e a Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica (CIPE). Em entrevista ao SBP Notícias, a presidente da CIPE, dra. Maria do Socorro Mendonça de Campos, destaca que um dos benefícios desse estreitamento será a troca de conhecimento entre pediatras e cirurgiões pediátricos no que tange a protocolos e condutas que ambos os profissionais devem conhecer.

“Nossa meta é ampliar cada vez mais essa parceria e a participação nos congressos tanto da CIPE quanto da SBP, além da produção de cursos voltados à prática da cirurgia pediátrica, onde todos serão beneficiados, especialmente as nossas crianças e adolescentes”, disse.

Dra. Maria do Socorro explica ainda o que é e como é feita a especialização em cirurgia pediátrica, em quais casos o cirurgião pediátrico atua, o número de profissionais registrados no Brasil e quais as maiores dificuldades enfrentadas por aqueles que atuam nessa área.

Leia a seguir a íntegra da entrevista.

SBP Notícias – O que é a cirurgia pediátrica e como é feita a especialização?

Dra. Maria do Socorro Mendonça de Campos – A cirurgia pediátrica é uma especialidade médica que tem como pré-requisito a cirurgia geral. A cirurgia pediátrica cuida de crianças (clínico e/ou cirúrgico) de zero a 18 anos. Atualmente a formação mínima do cirurgião pediátrico varia de 5 a 6 anos. Vai depender da opção do médico em fazer como pré – requisito 2 anos de Residência Médica (RM) na Área de Cirurgia Básica ou 3 anos de RM em Cirurgia Geral, opção esta que no final concede título de especialista em Cirurgia Geral. Após o pré – requisito, 3 anos de RM em Cirurgia Pediátrica e mais 1 ano opcional de estágio em Centros de Aperfeiçoamento credenciados pela CIPE (Queimados, Cirurgia Pediátrica Oncológica, Cirurgia Pediátrica Torácica e Cirurgia Pediátrica Urológica). Outra opção é o médico fazer a prova direta para o título de especialista especial em cirurgia pediátrica, porém, essa prova só pode ser feita por aqueles que já possuem mais de 15 anos de formado e dez anos exercendo a cirurgia pediátrica em hospital de referência.

SBP Notícias – Em quais casos o cirurgião pediátrico atua?

MSMC – Pré-natal: no diagnóstico de malformações congênitas durante a gestação, com programação para correção cirúrgica após o nascimento. Em alguns casos, o procedimento cirúrgico pode ser realizado ainda no útero da mãe (Cirurgia Fetal).

Neonatal: compreende os pacientes desde o nascimento até o vigésimo oitavo dia de vida, prematuros ou nascidos a termo. Nessa faixa etária predominam as malformações congênitas.

Cirurgia Pediátrica Geral: após o período neonatal, envolve tanto malformações congênitas com diagnóstico mais tardio, assim como outras patologias de caráter eletivo ou de urgência, dos diversos sistemas orgânicos.

Cirurgia Pediátrica Urológica: investigação e tratamento de doenças do sistema urinário.

Cirurgia Pediátrica do Trauma: o profissional atua em serviços de emergência, sendo imprescindível a sua presença no tratamento de crianças politraumatizadas, pois estas apresentam características distintas dos adultos.

Cirurgia Pediátrica Oncológica: tumores, benignos ou malignos, têm apresentação diferenciada em crianças, inclusive com características histológicas específicas, que determinam o tratamento.

Cirurgia Pediátrica Videolaparoscopia: na verdade, não se trata de área de atuação, mas sim uma técnica cirúrgica que necessita de treinamento específico e intensivo do profissional; e que pode ser aplicada em várias situações da prática diária da especialidade.

E mais recentemente na Cirurgia Pediátrica Robótica, que assim como a videolaparoscopia, é uma técnica cirúrgica que necessita de um treinamento específico e intensivo.

SBP Notícias – Quantos especialistas têm no Brasil nessa especialidade?

MSMC – Não temos o número exato atualmente. O último censo demográfico do CFM, divulgado em 2018, apontou que existem 1.378 cirurgiões pediátricos com o título de especialista registrado. No entanto, acreditamos termos muito mais do que isso, pois muitos profissionais não registram o certificado de conclusão da residência ou até mesmo o título de especialista concedido pela Associação Brasileira de Cirurgia Pediátrica e a Associação Médica Brasileira.

SBP Notícias – Quais são as maiores dificuldades na área da cirurgia pediátrica?

MSMC – Atualmente, uma das maiores dificuldades é realmente o mercado de trabalho em termos remuneratórios, não só para a Cirurgia Pediátrica, mas para a medicina como um todo. Tivemos recentemente a votação da MP 890/19, que era o início de uma carreira de estado para médicos e acabou se transformando em uma bagunça. Estamos junto com as sociedades de especialidades e a Associação Médica Brasileira tentando reverter essa MP. Paralelamente a isso, temos a baixa remuneração na tabela SUS que está altamente desatualizada. A tabela CBHPM é confusa, divulga a cada ano novos reajustes e as operadoras de saúde não respeitam esses novos valores. Estamos em 2019 e as operadoras de saúde estão pagando os preços praticados pela tabela CBHPM de 2005. Em São Paulo, tem operadoras utilizando a tabela da AMB de 1992, utilizando o Coeficiente de Honorários que nem existe mais. Esses são os entraves que temos na prática da cirurgia pediátrica. Outra situação complicada é o serviço público não acompanhar a inclusão de novas tecnologias. Por exemplo, estamos com uma medicação utilizada para o tratamento de linfagioma, a Bleomicina, cuja compra foi suspensa pela Anvisa e está em falta no mercado. Estamos em contato com uma deputada para que leve o problema ao debate em audiência pública ver como resolver essa questão.

SBP Notícias – Quantas e quais são as cirurgias pediátricas feitas no Brasil?

MSMC – Casos cirúrgicos muito comuns em crianças são as hérnias inguinais, hérnia umbilical, testículos que estão situados na bolsa escrotal, hipospádia, fimose, tumores, entre outros.

SBP Notícias – Qual a importância desse estreitamento entre a CIPE e SBP?

MSMC – Esse estreitamento é fundamental. A SBP é a Sociedade mãe, podemos dizer assim, e a CIPE está paralela à SBP, pois trabalhamos com crianças e adolescentes e é impossível caminharmos separadamente.

SBP Notícias – Quais benefícios essa parceria trará às crianças brasileiras?

MSMC – Serão todos os benefícios, pois é importante que o cirurgião pediátrico tenha conhecimento de determinados protocolos e condutas que o pediatra tem; bem como é muito importante que o pediatra tenha o conhecimento das patologias cirúrgicas pediátricas. É importante que o pediatra saiba fazer o diagnóstico para encaminhar o paciente para o tratamento no tempo correto.

SBP Notícias – Qual o planejamento que ambas instituições vêm trabalhando?

MSMC – Tomei posse na CIPE em 1º de junho deste ano. Estou organizando as questões administrativas e achei que seria fundamental essa relação entre a SBP e a CIPE, que já foi forte no passado e depois se perdeu. Acho importante termos essa ligação novamente. Em nossa primeira reunião, decidimos inicialmente pela produção conjunta de artigos científicos que envolve o dia a dia do cirurgião pediátrico e do pediatra. Porém, nossa meta é ampliar cada vez mais essa parceria e participação nos congressos tanto da CIPE quanto da SBP, além da produção de cursos voltados à prática da cirurgia pediátrica onde todos serão beneficiados, especialmente as nossas crianças e adolescentes.


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