SBP lança diretriz atualizada para o tratamento e prevenção pelo vírus influenza

Os Departamentos Científicos de Imunizações, Infectologia, Alergia, Otorrinolaringologia e Pneumologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgaram nesta terça-feira (14) a diretriz “Atualização no tratamento e prevenção da infecção pelo vírus influenza – 2020”. A influenza é uma infecção viral aguda que acomete, especialmente, o sistema respiratório. É de transmissibilidade elevada e distribuição global, com tendência a se disseminar facilmente em epidemias sazonais, podendo também causar pandemias.

Composta por 26 páginas, a diretriz foi revisada pela presidente da SBP, dra. Luciana Rodrigues Silva, e pelo diretor dos Departamentos Científicos da SBP, dr. Dirceu Solé. A coordenação foi dos drs. Renato Kfouri e Marco Aurélio Sáfadi, presidentes dos Departamentos Científicos de Imunizações e Infectologia da SBP, respectivamente.

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Estima-se que, anualmente, 5% a 10% dos adultos e 20% a 30% das crianças sejam infectadas em cada epidemia. Embora a grande maioria dos casos resulte em doença leve, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que as epidemias resultem em 3 a 5 milhões de casos graves e 290.000 a 650.000 mortes associadas a infecção a cada ano.

Segundo o documento, o vírus influenza A tem, ainda, potencial pandêmico, pela sua capacidade de rearranjo com variantes do vírus que acometem outras espécies, situação que exige constante vigilância. “A maioria dos casos graves, complicações, hospitalizações e óbitos decorrentes da infecção pelo influenza se dá em indivíduos pertencentes aos grupos de risco: idosos, crianças nos primeiros anos de vida, gestantes e portadores de doenças crônicas ou imunocomprometidos”, diz trecho da diretriz da SBP.

 “As crianças desempenham importante papel na cadeia de transmissão, pois além de serem acometidas de forma importante, quando infectadas, excretam o vírus por tempo mais prolongado. O absenteísmo escolar e casos secundários na família elevam ainda mais a importância da prevenção na pediatria”, frisa trecho da diretriz.

EPIDEMIOLOGIA – Os vírus influenza são causas frequentes de doenças respiratórias agudas, com impacto significante para a saúde humana, para a economia e para a sociedade. Sabe-se que esses vírus são causas conhecidas de epidemias sazonais e pandemias. O acometimento pela doença pode resultar em hospitalização e morte, principalmente entre os grupos de alto risco.

Embora a doença grave por influenza possa ocorrer em todas as idades, as crianças são especialmente acometidas. As taxas de hospitalização associadas à gripe foram três vezes mais altas nos países em desenvolvimento do que nos países industrializados. Estudos também relatam que as taxas de hospitalização entre crianças menores de dois anos são semelhantes às taxas de hospitalização entre pessoas com 65 anos ou mais.

A transmissão da gripe ocorre principalmente de pessoa a pessoa, por meio de gotículas respiratórias produzidas por tosse, espirros ou fala de uma pessoa infectada para uma pessoa suscetível, o que requer um contato próximo entre elas porque as gotas geralmente atingem distâncias curtas. Outro modo de transmissão é pela transferência manual do vírus influenza das superfícies contaminadas por gotículas (fômites), para as superfícies mucosas da face por auto-inoculação.

O período de incubação da gripe é de um a quatro dias, com média de dois dias. A transmissão do vírus a partir de indivíduos infectados ocorre um a dois dias antes do início de sintomas. O pico da excreção viral ocorre entre 24 e 72 horas do início da doença, e declina até níveis não detectáveis por volta do quinto dia após o início dos sintomas. As crianças, comparadas aos adultos, excretam vírus mais precocemente, com maior carga viral e por períodos mais longos, podendo durar de sete a 10 dias ou mais. Imunocomprometidos podem excretar vírus por semanas ou até meses.

MEDIDAS DE CONTROLE – A diretriz da SBP para o vírus influenza aborda ainda questões sobre a pandemia, sazonalidade, vigilância epidemiológica, sintomas e destacando, sobretudo, a importância da vacinação a fim de prevenir o aumento dos casos de gripe e óbitos.

Na última campanha, em 2019, o público alvo foi composto de crianças faixa etária de seis meses a menores de seis anos de idade (cinco anos, 11 meses e 29 dias), mulheres gestantes e puérperas (até 45 dias após o parto), adultos com 55 anos e mais, trabalhadores da saúde, professores das escolas públicas e privadas, povos indígenas, indivíduos portadores de doenças crônicas não transmissíveis e outras condições clínicas especiais.

Adolescentes e jovens de 12 a 21 anos de idade que estavam em regime de medidas socioeducativas bem como a população privada de liberdade e os funcionários do sistema prisional, foram incluídos na campanha.

“A vigilância da influenza tem avançado principalmente no diagnóstico laboratorial, na distribuição de medicamentos e na ampliação da população-alvo nas campanhas de vacinação anual, porém a doença continua causando um número importante de casos e óbitos a cada epidemia, sendo necessário o fortalecimento das ações de prevenção e redução da morbimortalidade, com destaque à vacinação como uma importante ferramenta para o controle da doença”, destaca outro trecho do documento.

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