SBP lança documento com foco em pacientes com alergia à penicilina

Para orientar os pediatras a respeito da classe de antibióticos mais comumente associada às reações de hipersensibilidade, a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lançou nesta semana o documento científico “Alergia à Penicilina”. Na publicação, a entidade destaca que as reações cutâneas benignas – como urticária e exantema maculopapular tardio – são as manifestações mais comuns e, na maioria das vezes, não são verdadeiramente alérgicas, mas devido à infecção subjacente ou à interação do medicamento com o agente infeccioso.

Por esse motivo, o texto alerta sobre a importância do diagnóstico preciso de hipersensibilidade a antibióticos, uma vez que a indicação de alergia implica no uso de fármacos alternativos, em geral mais caros e menos eficazes, além de contribuir para aumento da resistência antimicrobiana.

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“A rotulagem de alergia a antibióticos é frequentemente feita pelos pais quando há aparecimento de rash cutâneo durante episódio infeccioso em que o medicamento está sendo utilizado, mas na maioria das vezes não há investigação posterior para confirmar a possível alergia. A alergia à penicilina tende a diminuir com o passar do tempo e cerca de 80% dos pacientes tornam-se tolerantes após uma década. Estudo recente mostrou que 75% das crianças diagnosticadas como alérgicas à penicilina foram assim rotuladas antes do terceiro ano de vida. No entanto, quando elas são investigadas ou submetidas a teste de provocação, mais de 90% toleraram o antibiótico”, salienta o documento.

A publicação também apresenta informações epidemiológicas, descritivos e tabelas sobre a composição dos antibióticos beta-lactâmicos, além da classificação (tipo A e B) das reações adversas às drogas (RAD). Conforme sugere a Organização Mundial de Saúde (OMS) e enfatiza o texto, a categorização dessas manifestações deve sempre tomar como base o momento do aparecimento dos sintomas. A abordagem visa distinguir reações mediadas por IgE (tipo I) – responsáveis pelas reações imediatas – de outros tipos mais associados a reações tardias.

“A história clínica detalhada com informações subjetivas e objetivas disponíveis é essencial na avaliação diagnóstica, permitindo melhor diferenciação entre reações graves ou benignas, imediatas ou não imediatas. A documentação precisa dos medicamentos utilizados no momento da reação é crucial, pois a presença de cofatores ou drogas administradas simultaneamente pode causar reação, alterar seu início ou sua progressão”, descrevem os especialistas.

A recomendação para os pediatras é que a investigação deve ser ainda mais desafiadora já que crianças são menos capazes de se expressar. O uso de fotos deve ser incentivado para se obter melhor descrição das lesões cutâneas na fase aguda.

TRATAMENTO – Conforme expressa a publicação da SBP, a primeira medida a ser realizada no tratamento de uma RAD é a retirada imediata do medicamento e o manejo das manifestações clínicas apresentadas. Devem ser fornecidas informações como nome do remédio, laboratório e outros fármacos em uso concomitante. Além disso, o médico deve orientar sobre o uso de remédios opcionais com a mesma função terapêutica e reforçar a importância da utilização dos antibióticos somente quando existir prescrição médica.

Segundo ressalta o documento, a classificação de “alérgico à penicilina” apresenta consequências importantes para a saúde pública e do paciente. Na prática, mais de 90% dos pacientes rotulados como alérgicos podem receber o medicamento com segurança, quando avaliados de modo adequado, com técnicas sensíveis e específicas para identificar pacientes com reações verdadeiramente alérgicas.

“Diagnóstico preciso, manejo adequado e, se necessário, dessensibilização de pacientes alérgicos à penicilina são fundamentais. O especialista deve, empregando exames ambulatoriais e hospitalares, identificar corretamente pacientes com alergia à penicilina. A diminuição de pacientes com rotulagem equivocada e a consequente diminuição do uso de antibióticos alternativos e caros, contribuem para a redução da morbimortalidade associada ao surgimento de organismos resistentes à penicilina e beta-lactâmicos”, conclui o texto.

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