SBP publica orientações sobre como abordar prevenção de álcool e drogas na consulta pediátrica

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou nesta quinta-feira (22) o documento especial “Intervenção breve na prevenção de álcool e drogas na consulta pediátrica”, que reúne orientações gerais aos pediatras no tratamento do assunto com seus pacientes e familiares. O texto foi produzido pelos drs. João Paulo Becker Lotufo, doutor em pediatria pela Universidade de São Paulo (USP) e representante da SBP para o assunto de drogas, e Rafael Yanes Rodrigues, médico assistente e responsável pelo ambulatório de pediatria do Hospital Universitário da USP. 

“Esse material é de fundamental importância para auxiliar os pediatras na abordagem dos temas das drogas durante as consultas com seus pacientes e os pais”, frisa o dr. Lotufo. No documento, os autores explicam a diferença entre aconselhamento breve e intervenção breve. “Aconselhamento breve nada mais é do que ‘gastar’ alguns minutos da consulta médica tratando sobre a questão das drogas, bem como da prevenção para não usuários. Intervenção breve é uma conversa mais dirigida para os usuários de droga. Esta é um pouco mais elaborada e leva um pouco mais de tempo e dedicação”, definem os especialistas.

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De acordo com as orientações, o diagnóstico das possíveis drogas lícitas ou ilícitas presentes nas casas das famílias é fundamental para o preparo do plano de atendimento sobre estas questões em todas as consultas. “Inicialmente pesquisamos se há pais fumantes, alcoólatras, usuários de maconha ou crack nas famílias. A partir daí, conversamos, gastando, no bom sentido, minutos suficientes para informar e aprimorar a discussão sobre as drogas em casa, reverberando a mensagem do aconselhamento”, comentam.

O texto traz ainda dados de um estudo piloto realizado em São Paulo. Entre os pacientes atendidos, a pesquisa mostrou que o uso do álcool no consumo familiar é bastante elevado (43,5%), seguido pelo tabaco (34,5%), maconha (27,5%) e depois pelo crack (11,5%). “Estes números de presença de drogas nas famílias atendidas no ambulatório do Hospital Universitário da USP são extremamente preocupantes, pois o início das drogas começa dentro de casa”, apontam os autores.

Dr. Lotufo adverte ainda que, caso os pais sejam usuários de drogas, cabe ao pediatra aconselha-los a buscar tratamento nos centros especializados. “Sabemos que a criança que cresce em um ambiente onde os pais são alcoólatras ou usuários de drogas, a probabilidade deste indivíduo também fazer uso dessas substâncias é grande”, observa.

ORIENTAÇÕES – O documento elaborado pela SBP traz orientações para um bom aconselhamento breve sobre drogas e lembra, ainda, que bebidas alcoólicas também são consideras drogas. Veja abaixo as recomendações dos autores:

1. Cumprimente a família, pois dar a mão ao paciente aumenta a adesão ao tratamento e ao seu aconselhamento breve;

2. Tenha empatia positivo, brinque com a criança e com o adolescente. Perguntar para que time ele torce é um bom começo;

3. Discuta os assuntos com a família presente sem aprofundar temas como “você já usou drogas” ou “já teve relação sexual”. Isto não interessa no aconselhamento. Deixe estes assuntos para depois;

4. Anote o que discutiu no prontuário para que você possa retomar o aconselhamento breve na próxima consulta e aprofundar os conhecimentos da família e do seu paciente;

5. Não importa a idade do seu paciente, o aconselhamento breve se inicia intraútero. Se a mãe fuma ou se o pai bebe em excesso, é preciso dedicar um pouco mais de tempo;

6. Lembre-se de que as doenças têm aspecto genético. Investigue os antecedentes familiares. Se há alcoólatras na família, não perca tempo em discutir este assunto. Se há doentes psiquiátricos, lembre-se de que a maconha antecipa e exacerba as doenças psiquiátricas;

7. Aprofunde o conhecimento sobre os problemas das drogas e aprenda não só a discutir estas questões, pois o pediatra tem condições de orientar e iniciar o tratamento do tabagismo;

8. Seja amoroso e insistente nas questões sobre drogas. Nunca sabemos qual o ponto vai fazer “cair a ficha” da família.

PARA CRIANÇAS – Dr. Lotufo relata que a criança é um excelente veículo para tratar a dependência de álcool, tabaco e outras drogas. “Perguntei a um avô porque ele tinha vindo parar de fumar aos 70 anos e ele respondeu que eu havia dado um livrinho para seu neto sobre o malefício dos cigarros e toda vez que ele acendia um cigarro seu neto o fazia ler o livreto do Dr Bartô. Ele já havi a lido o livreto “Meu tio ficou banguela” umas 58 vezes e resolveu vir parar de fumar”, conta.

Outras iniciativas, com abordagem e linguagem próprias para as crianças, como as apresentadas nas cartilhas do Dr. Bartô, também têm feito parte de ações governamentais. Em 2012, por exemplo, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad) lançou, em parceria com a Maurício de Sousa Produções, o gibi da Turma da Mônica “Uma história que precisa ter fim”. No quadrinho, os personagens alertam os pequenos leitores sobre os perigos e efeitos prejudiciais que as drogas ilícitas e lícitas podem desencadear na vida dos usuários.

Segundo a presidente da SBP, dra. Luciana Rodrigues Silva, a linguagem acessível e lúdica das histórias infantojuvenis é uma das maneiras mais eficientes de levar informação às crianças. “As situações retratadas são mais próximas ao dia a dia do jovem. Além de trazer diversão, os gibis e cartilhas podem educar sem formalidade. Um ótimo exemplo a ser multiplicado”, enfatizou.


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