Síndrome mão-pé-boca é tema de novo documento científico da SBP


Os Departamentos Científicos de Dermatologia e de Infectologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) publicaram nesta terça-feira (24) o documento científico Síndrome Mão-Pé-Boca (MPB) com o objetivo de atualizar os pediatras sobre a doença de alta contagiosidade, com transmissão fecal-oral e respiratória causada pelo vírus Coxsackie.

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Os coxsackievirus são vírus não envelopados, de fita simples de ácido ribonucleico (RNA), pertencentes à família Picornaviridae, e ao gênero Enterovírus (EV), que ainda inclui os poliovírus e os echovírus. Embora possa acometer também adultos, a doença MPB é mais frequente em crianças, especialmente entre as menores de cinco anos de idade.

“A doença é, na grande maioria dos acometidos, benigna e autolimitada, com duração de aproximadamente uma semana. Entretanto, recentemente foram relatados surtos com erupções extensas e graves com evolução desfavorável, incluindo óbitos”, destaca o documento.

A transmissão das infecções pelos EV ocorre de pessoa a pessoa, direta ou indiretamente. Indivíduos infectados podem transmitir o vírus nas fezes ou por secreções respiratórias, desde alguns dias antes do início dos sintomas, continuando a sua excreção nas fezes por semanas depois da infecção primária. A duração da excreção respiratória geralmente é menor, limitada a uma a três semanas.

“A síndrome/doença MPB não é considerada de notificação compulsória, entretanto, a ocorrência de dois ou mais casos relacionados devem ser notificados como surto”, observam os especialistas.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS – As manifestações clínicas são caracterizadas pela presença de febre, dor de garganta e recusa alimentar, associadas à presença de lesões vesiculares que aparecem na mucosa bucal e na língua, e erupção pápulo-vesicular localizada nas mãos e pés (incluindo as palmas e plantas) e menos frequentemente nos cotovelos, tornozelos, glúteos e região genital. As vesículas são ovaladas com formato de “grão de arroz” e as lesões ulceradas na cavidade oral podem não estar presentes em todos os casos.

A apresentação clínica grave é mais frequente em pacientes menores de 5 anoS e a maioria dos casos registrados da doença estão nesta faixa etária. Inicialmente, ocorre a doença habitual e na evolução os pacientes podem apresentar mioclonia, tremores, ataxia e paralisia de nervos cranianos. Pode haver falência cardiorrespiratória que, frequentemente, apresenta evolução fatal, e ainda incidência aumentada de alterações neurológicas, necessitando de suporte em unidades de terapia intensiva.

DIAGNÓSTICO DIFERENCIAL – Segundo especialistas, a doença MPB deve ser diferenciada da disidrose, cujas vesículas são pruriginosas e localizam-se na face lateral dos dedos das mãos e pés, acometendo mais a faixa etária dos escolares e adolescentes. Também faz diagnóstico diferencial com aftose e gengivoestomatite herpética, que acometem a cavidade oral isoladamente.

“As formas atípicas podem ser confundidas com varicela, cujas lesões apresentam-se em vários estágios evolutivos (mácula, pápula e vesícula) numa mesma região anatômica e com farmacodermias, como a síndrome de Steven Johnson, na qual existe relação temporal com o uso do fármaco e apresentam lesões sob a forma de placas e bolhas”, explicam os especialistas.

O diagnóstico laboratorial da infecção por enterovírus é confirmado pelo isolamento e identificação do vírus em cultura celular, por detecção do RNA viral por reação de cadeia de polimerase (PCR) ou por métodos sorológicos.

TRATAMENTO – A maioria das infecções por enterovírus é autolimitada, sendo o tratamento feito à base de sintomáticos. As opções terapêuticas para os casos graves, como encefalites, miopericardites, infecções neonatais, infecções em pacientes com deficiência de células B são limitadas, não havendo até o momento tratamento específico com eficácia comprovada para infecção por enterovírus. A imunoglobulina endovenosa (IVIG) tem sido utilizada em situações específicas, com resultados controversos.

Em casos com lesões que acometam áreas extensas e muitas lesões na cavidade oral pode ser necessária a internação para alimentação via sonda nasogástrica pela dificuldade para deglutir e nos pacientes com infecção secundária são indicados antibióticos.

PREVENÇÃO – Medidas de higiene, especialmente após a troca das fraldas, são recomendadas para diminuir o risco de transmissão. Além disso, devem ser tomadas precauções com desinfecção de superfícies, de objetos e de utensílios utilizados pelos indivíduos doentes.

A China, desde 2015, aprovou uma vacina inativada de células inteiras do EV71, para prevenção das formas graves da doença, não havendo até o momento experiências reportadas fora da China com esta vacina.

Compõem o Departamento Científico de Dermatologia os drs. Vânia Oliveira de Carvalho; Ana Maria Mosca de Cerqueira; Ana Elisa Kiszewski Bau; Gleide Maria Gatto Bragança; Jandrei Rogério Markus; Marice Emanuela El Achkar Mello, Matilde Campos Carrera e Beatriz Zanella Lodi.  O Departamento Científico de Infectologia é composto pelos drs.Marco Aurélio Palazzi Sáfadi; Cristina de Oliveira Rodrigues; Analíria Moraes Pimentel; Aroldo Prohmann de Carvalho; Eitan Naaman Berezin; Euzanete Maria Coser; Maria Ângela Wanderley Rocha e Silvia Regina Marques.


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