Tempo máximo de uso de telas para crianças e adolescentes será um dos temas tratados em evento da SBP a ser realizado em Belo Horizonte

Duas horas por dia é o tempo máximo de uso de tela recomendado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) para crianças acimas de seis anos e adolescentes. Essa é a orientação dos dois Departamentos Científicos da entidade que abordam o tema: Adolescência e Desenvolvimento e Comportamento.

De acordo com o Manual de Orientação “Saúde de Crianças e Adolescentes na Era Digital”, publicado pelo DC de Adolescência em 2016, o tempo de uso da tecnologia digital, também denominado tempo de tela (do inglês screen time), deve ser limitado e proporcional às idades e às etapas do desenvolvimento cerebral-mental-cognitivo-psicossocial das crianças e adolescentes.

Entre as consequências do uso excessivo de tecnologia estão o aumento da ansiedade, a dificuldade de estabelecer relações em sociedade, o estímulo à sexualização precoce, a adesão ao cyberbullying, o comportamento violento ou agressivo, os transtornos de sono e de alimentação, o baixo rendimento escolar, as lesões por esforço repetitivo e a exposição precoce a drogas, entre outros. Todos com efeitos danosos à saúde individual e coletiva, com graves reflexos para o ambiente familiar e escolar.

ORIENTAÇÕES –  Trata-se de tema de extrema relevância para os pediatras que devem orientar os pais acerca dos benefícios e malefícios das telas para as crianças e os adolescentes. Aspectos relacionados às questões da era digital, como a influência das redes sociais na violência entre crianças e adolescentes e seguranças nas redes sociais e internet, serão abordados em eventos organizados pela SBP, em parceria com a Sociedade Mineira de Pediatria (SMP), em Belo Horizonte (MG). No dia 30 de outubro, ocorrerá o 1º Fórum SBP sobre Violência na Infância e Adolescência. Na oportunidade, serão discutidas estratégias para identificar vítimas de agressões e prever potenciais situações de vulnerabilidade.

Esse Fórum tem público-alvo formado por professores, pedagogos, juristas, assistentes sociais, conselheiros tutelares, além de profissionais de diferentes áreas da saúde, como enfermeiros, psicólogos, fisioterapeutas, entre outros. Essa abrangência tem como intenção reforçar a importância da atuação de cada um dos profissionais dentro da rede de assistência e proteção integral às crianças e aos adolescentes.

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Nos dias 31 de outubro e 1º de novembro, ocorrerá no mesmo local o 1º Simpósio Pediátrico de Promoção da Saúde e Segurança, com o objetivo de promover a capacitação dos especialistas da região em temas relacionados à prevenção de acidentes e às situações de rotina verificadas em consultórios e escolas, além de questões sobre promoção da saúde de forma ampla.

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Em ambos os eventos, os associados adimplentes da SBP possuem desconto na inscrição do evento. Para conhecer os palestrantes, outros detalhes da programação científica e garantir uma vaga, acesse os sites dos eventos.

ESTRESSE TÓXICO – Sobre essas questões, além do documento produzido pelo DC de Adolescência, o DC de Desenvolvimento e Comportamento publicou, em junho de 2017, o Manual de Orientação “O papel do pediatra na prevenção do estresse tóxico na infância”. O guia corrobora com as ideias apresentadas no manual do DC de Adolescência e acrescenta mais informações e dados sobre o assunto.

Estudos mostram que o uso imoderado, precoce e não supervisionado de dispositivos eletrônicos têm causado prejuízos de ordem cognitiva, psíquica e física nos jovens. Os principais problemas observados foram: deficiências visuais, auditivas e posturais, distúrbios do sono, alterações do humor, isolamento, agressividade, depressão, redução da capacidade cognitiva e produtiva, déficit de atenção, problemas de linguagem e transtornos ligados ao sedentarismo como obesidade, dentre outros.

“As crianças e adolescentes ainda estão em fase de crescimento e de desenvolvimento cerebral. Por isso, nesse período, elas precisam de diversidade de estímulos para poder formar conexões em diferentes áreas cerebrais para desenvolver habilidades necessárias para o resto da vida: a curto, médio e longo prazo”, explica a presidente do DC de Desenvolvimento e Comportamento, dra. Liubiana Arantes de Araújo.

Segundo a médica, essas habilidades estão relacionadas à aprendizagem, a habilidades para desenvolver conteúdos pedagógicos e funções executivas, como disciplina, foco, atenção, planejamento. “Todas essas habilidades de linguagem são essenciais para o desenvolvimento cognitivo, social e emocional que a criança terá ao longo da vida. Nesse período, está sendo construída essa arquitetura básica. Se você restringe a criança por muito tempo só ao estimulo de tela, está privando a criança de outros tipos de estímulos essenciais ao seu neurodesenvolvimento”, continua.

SEIS ANOS - O texto reforça também que a prevenção do estresse tóxico ligada ao uso inadequado de tecnologia consiste no controle do tempo de tela por faixa etária e monitoramento do conteúdo acessado. Para crianças maiores de seis anos e adolescentes, o tempo de tela não deve exceder a duas horas por dia, a não ser em caso de trabalhos acadêmicos, estabelecendo intervalos de descanso e atividade física, restringindo o tempo de jogos online, uso de aplicativos e redes sociais.

De acordo com dra. Liubiana, é muito importante que os pais escolham jogos e filmes pedagogicamente adequados para cada faixa etária, dentro do período adequado, porque, dessa forma, estarão usando as telas a favor das crianças e promovendo o seu neurodesenvolvimento.

Já para as crianças menores de dois anos, é necessário que seja evitado ou até proibida a exposição passiva às telas digitais, com acesso a conteúdo inapropriado de filmes e vídeos, principalmente, durante a hora das refeições ou nas que antecedem o sono. Vale ressaltar que as crianças entre dois e cinco anos também devem ter o tempo de exposição limitado: no máximo uma hora por dia.

Além disso, é de suma importância a proteção de crianças menores de seis anos, principalmente, pois elas não conseguem separar fantasia da realidade. Jogos online com cenas de tiroteios, mortes ou desastres e que ganham pontos de recompensa não são apropriados em qualquer idade porque banalizam a violência como sendo aceita para a resolução de conflitos, sem expor a dor ou sofrimento causado às vítimas.

PESQUISA – Estudo recente publicado pelo periódico médico “The Lancet Child & Adolescent Health” mostra que o tempo excessivo de tela tem maior custo em termos de desempenho cognitivo das crianças. Nesse sentido, vale salientar que o “dia ideal” para o desenvolvimento físico e cerebral de uma criança entre 5 e 13 anos deve ter de 9 a 11 horas de sono ininterrupto, ao menos uma hora de exercícios moderados e no máximo duas horas em frente a uma tela com fins recreativos.

Tendo como base estas diretrizes de “dia ideal” para crianças e jovens apontadas em 2016 pela Sociedade Canadense para Fisiologia do Exercício (CSEP, na sigla em inglês), os cientistas liderados por Jeremy Walsh, do Instituto de Pesquisas do Hospital Infantil do Leste de Ontário (CHEO, também na sigla em inglês), aproveitaram a divulgação dos primeiros dados de outro amplo estudo envolvendo crianças nos EUA para avaliar seu impacto na cognição delas.

De acordo com o levantamento americano, intitulado Desenvolvimento Cognitivo do Cérebro Adolescente (ABCD, ainda em sigla em inglês), das 4.520 crianças com média de idade de 10 anos e todos dados disponíveis avaliados, apenas 5%, ou uma em cada 20, cumprem integralmente as diretrizes do CSEP, enquanto 29%, ou quase uma em cada três, não seguem nenhuma das recomendações no seu dia a dia. Já 41% só cumpriam uma das diretrizes, e 25% duas delas.

Comparando os desempenhos cognitivos globais destas crianças, os cientistas verificaram que quanto maior a adesão às recomendações canadenses de comportamento diário, melhor o resultado nos testes neste sentido realizados no âmbito do estudo ABCD, com as maiores diferenças a favor das que aderiam à limitação do “tempo de tela” para fins recreativos e das que cumpriam esta e a relativa ao sono. (Com informações do Jornal O Globo)


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