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SBP alerta sobre como prevenir exposição de crianças e adolescentes a grupos de incitação ao suicídio e à automutilação

20/04/2017

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A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) alerta os pais e responsáveis sobre a importância do diálogo com as crianças e adolescentes para evitar a exposição desse grupo vulnerável às comunidades ou “jogos” em ambiente virtual (sites, redes sociais, grupos WhatsApp) que estimulam a prática do suicídio, da automutilação e da participação em atividades de alto risco, entre outros problemas. 

A entidade também está preocupada com o modo como a imprensa e os formadores de opinião abordam o problema. O alerta, que também é direcionado aos pediatras, vem junto a uma série de situações relatadas recentemente no Rio de Janeiro, Mato Grosso e Paraná. Nestes Estados, as autoridades policiais apuram casos de suicídio de jovens, após suposta exposição a este tipo de conteúdo inadequado.   

AGRESSÃO - A morte de adolescentes é o ápice de uma escalada de agressão e assédio, que inclui o estímulo à automutilação e a participação em outras situações de  risco, havendo vários fatores determinantes e individualizados. De acordo com a Safenet, organização não-governamental que acompanha o tema, esses jogos não são fenômenos novos ou desconhecidos, principalmente no exterior. Contudo, a ONG chama a atenção para um ponto chave: o papel da imprensa no enfrentamento do problema.   

Em texto divulgado em seu site, a Safenet informa que rumores falsos de suicídios de 130 adolescentes russos por conta da participação neste suposto “jogo”, chamado pela imprensa de “Baleia Azul”, foram objeto de repercussão em uma grande emissora na TV aberta, no Brasil, o que aguçou a curiosidade da população. De acordo com a entidade, isso fez com que as buscas de informações sobre o tema aumentassem geometricamente. Além disso, a imprensa nacional contribui com a difusão dos conceitos ao detalhar de “forma didática como se engajar nessas comunidades e quais os ‘desafios’ para chegar até o fim do game”. 

VULNERABILIDADE - “Ao tratar do tema, os veículos de comunicação brasileiros não destacaram a importância de buscar ajuda de profissionais e do diálogo entre os jovens e suas famílias. Também passou ao largo da necessidade de estarmos atentos aos problemas comportamentais e à vulnerabilidade das crianças e dos adolescentes, o que exige medidas de prevenção e de controle por parte do Estado e da sociedade”, disse a presidente da SBP, dra Luciana Rodrigues Silva.

Neste contexto, a SBP orienta os pediatras, os pais, a imprensa e a sociedade, inclusive as próprias crianças e adolescente, a tratarem o tema com a máxima cautela possível. Isso implica em evitar o tom sensacionalista e buscar, sobretudo, a adoção de medidas de prevenção para evitar que essa exposição indevida produza novas vítimas. 

Esse cuidado é fundamental para impedir a disseminação desses supostos jogos e o surgimento de uma onda de pânico. Dra Luciana Rodrigues enfatiza, ainda, que está disponível no site da SBP (www.sbp.com.br) um documento importante para pediatras, professores, pais, adolescentes e crianças sobre a “Saúde da criança e do adolescente na era digital” no qual se discute a importância do convívio próximo e da atenção dos pais e familiares com os jovens, além da necessidade de limites sobre o uso da tecnologia. 

“Seria ainda muito importante que a imprensa nos ajudasse sistematicamente com a divulgação de bons hábitos para melhorar a qualidade de vida destes indivíduos ainda em formação, cujo comportamento está muito espelhado em exemplos”, acrescentou a presidente da SBP. 

VULNERABILIDADE - “Ao tratar do tema, os veículos de comunicação brasileiros não destacaram a importância de buscar ajuda de profissionais e do diálogo entre os jovens e suas famílias. Também passou ao largo da necessidade de estarmos atentos aos problemas comportamentais e à vulnerabilidade das crianças e dos adolescentes, o que exige medidas de prevenção e de controle por parte do Estado e da sociedade”, disse a presidente da SBP, dra Luciana Rodrigues Silva.

Neste contexto, a SBP orienta os pediatras, os pais, a imprensa e a sociedade, inclusive as próprias crianças e adolescente, a tratarem o tema com a máxima cautela possível. Isso implica em evitar o tom sensacionalista e buscar, sobretudo, a adoção de medidas de prevenção para evitar que essa exposição indevida produza novas vítimas. Esse cuidado é fundamental para impedir a disseminação desses supostos jogos e o surgimento de uma onda de pânico. 

SOBRIEDADE - O tema deve ser tratado com merecida sobriedade. Dados do Comitê Gestor da Internet no Brasil, dão conta de que 11% das crianças e adolescentes entrevistadas em pesquisa sobre o assunto relataram ter acessado páginas que ensinavam formas de se machucar e 6% orientavam sobre como cometer suicídio. Esses percentuais representam um alcance de mais de 2,5 milhões de crianças e adolescentes no País.

“Trata-se de tema muito relevante, um problema de saúde pública, pois o suicídio é considerado uma forma de violência autoafligida. São mortes que podem ser evitadas com a ajuda de suporte familiar e social, e não devem ser tratadas com comentários pessoais ou opiniões sem qualquer fundamento ou pesquisa”, lembrou a dra Evelyn Eisenstein, membro do Departamento Científico de Adolescência da SBP. Para ela, posturas inadequadas podem glamourizar o problema. 

Na avaliação da dra Alda Elizabeth, presidente do DC de Adolescência, o pediatra deve agir diante dessas situações e esclarecer colegas, pais e a sociedade sobre a melhor forma de enfrentar a exposição que coloca a população pediátrica sob risco. “Os médicos hebiatras e pediatras, além daqueles de outras especialidades, podem ajudar no entendimento desse fenômeno e auxiliar os adolescentes e suas famílias. A SBP já trabalha na produção de um documento que abordará o tema, e que poderá ser subsídio a uma campanha de conscientização e apoio”, acrescentou. 

RECOMENDAÇÕES - Entre os pontos que podem constar do trabalho, estão orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre a prevenção ao suicídio. Da lista, se destacam:

- O suicídio e a automutilação devem ser vistos como problemas de saúde pública, portanto devem ser estabelecidos programas de prevenção multidisciplinares, incluindo a participação de profissionais de diferentes áreas, em especial de médicos;

- A família, a escola, o poder público e a sociedade em geral devem dar atenção aos grupos mais vulneráveis da população, sobretudo adolescentes com histórico de depressão, tentativas de suicídio e outros sofrimentos psicológicos graves;

- O diálogo com as crianças e os adolescentes precisa ser estimulado, sendo que jamais pode ser minimizado ou subestimado o que falam e é necessário estar atento aos sinais de angústia e sofrimento;

- Segredos, tabus e ordens sem mediação em família aumentam a sensação de opressão do adolescente e as proibições sem justificativas podem ser contraproducentes;

- Os pais devem assistir filmes ou jogos online com seus filhos e saber ou comentar sobre os conteúdos que abordam violência ressaltando os cuidados de proteção;

- Sinais de tristeza, depressão ou angústias e transtornos de comportamento devem ser motivos de conversa;

- É importante estar próximo dos adolescentes e verificar que tipos de lazer virtual buscam nas redes sociais e reforçar as regras de senhas de segurança, privacidade e bloqueios de mensagens indevidas ou não solicitadas;

- Profissionais, como médicos pediatras, devem ser consultados na existência de dúvidas sobre o tratamento adequado nessas situações;

- Na abordagem pela imprensa ou em páginas de influenciadores digitais deve ser evitada a veiculação de nomes, detalhes e recursos, entre outros pontos, que atraiam a atenção e estimulem a curiosidade;

- As notícias sobre supostos casos de vítimas devem priorizar a adoção de medidas preventivas, que podem ser tomadas pelos pais, responsáveis e até nas escolas;

- O acompanhamento do uso da internet, das redes sociais e dos grupos de WhatsApp por crianças e adolescentes deve ser feito de forma clara e transparente pelos pais e responsáveis. A proibição de acesso ou o confisco de aparelhos são medidas pouco efetivas e que podem ser substituídas por diálogo e cumplicidade, o que ajuda na prevenção de riscos e fortalece vínculos de confiança que devem existir entre pais e filhos e alunos e professores. 

Ainda a partir das recomendações constantes do Manual de Orientação para os Pais (disponível em https://www.sbp.com.br/sbp-em-acao/saude-de-criancas-e-adolescentes-na-era-digital), a SBP reforça a importância de estar atento aos seguintes sinais de alerta: 

  • Diálogos, uso de palavras ou desenhos que demonstrem preocupações sobre morte, suicídio, vontade de sumir ou ferimentos e lesões corporais;
  • Gestos ou tentativas de suicídio ou histórias de suicido na família
  • Isolamento de amigos ou do convívio familiar
  • Perda de interesse em atividades que costumava fazer com a família ou na escola;
  • Baixo rendimento escolar e recusa de ir à escola;
  • Mudanças de hábitos de sono e alimentares e de comportamento em geral;
  • Mudanças dos hábitos alimentares (perda ou aumento de apetite);
  • Irritabilidade fácil e exagerada, choros frequentes ou crises de raiva;
  • Comportamentos autodestrutivos de automutilação, uso de álcool e drogas ou exposição às situações de risco exageradas e constantes;
  • Situações de bullying/cyberbullying recentes;
  • Abuso sexual prévio ou recente;
  • Postagens nas redes sociais de assuntos e mensagens que levam a baixa autoestima;
  • Interesses em filmes violentos, terror e muitas horas assistindo estes tipos de filme, violência gera violência.