Publicado em 16 de julho de 2019 – por Tatiana Mendonça
Você, que por acaso me lê, é pai ou mãe de uma criança pequena? Costuma dar o celular para a filha ou o filho quase como uma chupeta, para ter uns minutinhos de paz em meio ao turbilhão que é botar e criar um ser humano neste mundo? Não estou lhe julgando nem nada, mas é dever avisar que a recomendação da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) é que meninos e meninas de até 5 anos tenham zero acesso a celulares e tablets. “Ela deve estar é correndo com os pais, brincando na natureza”, diz a baiana Luciana Rodrigues Silva, primeira mulher a presidir a SBP, que reúne mais de 23 mil sócios. É a maior sociedade médica do país e a segunda do mundo, conta Luciana. O número reflete, naturalmente, a quantidade de pediatras no Brasil. São 39 mil. Entre as especialidades, a pediatria só perde para a clínica médica. O dado seria um alento, não fosse a má distribuição crônica. A região Sudeste concentra 55% destes profissionais. Apenas 16% estão no Nordeste. Para Luciana, é responsabilidade dos gestores públicos equacionar esse quadro. “Infelizmente, na rede pública muitas crianças não têm um pediatra. Elas só são atendidas numa emergência, numa situação de doença, e isso é muito ruim”. Professora da Universidade Federal da Bahia, ela lida há 40 anos com o universo das crianças, adolescentes e seus pais, ora preocupados, ora aflitos. Em entrevista à Muito, Luciana fala sobre retrocessos na área de saúde, como o aumento na mortalidade infantil e a volta do sarampo.
Clique aqui e leia a entrevista na íntegra