25/11/2020

O Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, através do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, promoveu no último dia 12 de novembro um encontro, em plataforma virtual, no qual foram debatidos assuntos referentes aos trabalhos realizados pelo órgão relacionados à educação e prevenção primária à gravidez precoce de crianças e adolescentes. Representando a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), estiveram presentes a presidente do Departamento Científico de Adolescência, dra. Alda Elizabeth Boehler Iglesias Azevedo, além das dras. Tamara Beres Lederer Goldberg e Darci Vieira da Silva Bonetto.

Também compareceram à reunião conselheiros da Comissão de Políticas Públicas, do Conselho Nacional de Assistência Social (Conanda), representantes do terceiro setor e da Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde (SGTES), dentre outros. “Encontros como esse são extremamente relevantes e o convite para participar mostra a relevância e a credibilidade da SBP para o debate. Houve, inclusive, uma proposta dos representantes da SGTES de trabalho em parceria com a nossa entidade”, conta a dra. Alda.

A SBP tem como principal objetivo o engajamento dos pediatras na prevenção da gravidez na adolescência, uma vez que é prerrogativa desses especialistas zelar pela saúde dos pacientes – inclusive sexual e reprodutiva – até os 19 anos de idade. “É nosso papel cobrar do poder público a implementação de políticas públicas para esta faixa etária, envolvendo saúde, educação, esporte, lazer, cidadania e cultura. Já que a gravidez precoce é um problema multifatorial e grave, inclusive de saúde pública, pois envolve riscos à saúde do bebê e da adolescente, além de um aumento do ciclo da pobreza e exclusão social”, alerta Alda.

400 MIL AO ANO – Os adolescentes – indivíduos entre 10 e 20 anos incompletos – representam entre 20% e 30% da população mundial, estimando-se que no Brasil essa proporção alcance 23%. Dentre os problemas de saúde nessa faixa etária, a gravidez sobressai em quase todos os países e, em especial, nos países em desenvolvimento. A taxa de gestação na adolescência no Brasil é alta para a América Latina, com 400 mil casos ao ano. Quanto à faixa etária, dados do Ministério da Saúde revelam que em 2014 nasceram 28.244 filhos de meninas entre 10 e 14 anos e 534.364 crianças de mães com idades entre 15 e 19 anos.

“Levamos ao encontro temas urgentes em relação à saúde sexual e reprodutiva para adolescentes com idade abaixo dos 14. Em conformidade com o documento científico que publicamos sobre o tema, enfatizamos que o amplo acesso à educação e à informação, associado à disponibilidade de serviços de saúde qualificados, representam a única ferramenta comprovadamente eficaz para lidar com a questão”, finalizou dra. Alda.