A importância de ampliar a presença do pediatra na Atenção Primária em Saúde (APS), para acompanhar sistematicamente crianças e adolescentes e prevenir doenças crônicas não transmissíveis na população adulta, foi o cerne do discurso proferido pela diretora da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dra. Maria Tereza Fonseca da Costa, durante a solenidade de abertura do 21º Congresso Brasileiro de Nefrologia Pediátrica (Nefroped). O evento, que está sendo realizado no Rio de Janeiro (RJ) e vai até sábado (2), tem como tema central “A doença renal pediátrica como prioridade global na atenção à saúde de crianças”.
“É preciso valorizar o trabalho daqueles que atuam com crianças e adolescentes na frente de prevenção dos agravos. O conteúdo desse Congresso diz respeito a nós pediatras, mas também, de forma muito objetiva, a questões relacionadas a uma carga de doenças com grandes possibilidades de serem evitadas na idade adulta. São patologias que trazem sofrimento e comprometimento da qualidade de vida, além de custos expressivos, que poderiam ser minimizados se houvesse o fortalecimento da atuação do pediatra em todos os níveis de atenção do Sistema Único de Saúde (SUS)”, destacou dra. Tereza da Costa, que na oportunidade representou o presidente da SBP, dr. Edson Liberal.
Na avaliação do presidente do 21º Nefroped, dr. Arnauld Kaufman, atualmente, a área enfrenta mudanças importantes, como a ampliação do foco na transição do paciente pediátrico para o adulto. “A nefrologia pediátrica é uma área que exige não apenas conhecimento técnico, mas também sensibilidade, compromisso e atualização contínua. Vivemos um momento de grandes avanços, com terapias e tecnologias inovadoras e uma compreensão cada vez mais ampla das doenças renais na infância, sobretudo a necessidade de fortalecermos a prevenção e o diagnóstico precoce, muitas vezes pré-natal”, disse.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), dr. José Andrade Moura Neto, ações coordenadas entre a nefrologia pediátrica e adulta alcançam mais repercussão junto à sociedade como um todo. “Dificuldades estruturais, como o subfinanciamento do SUS, ainda são gargalos assistenciais evidentes. Unir forças, dialogar e construir pontes nos possibilita mais participação na construção de políticas públicas, considerando as especificidades das nossas crianças e adolescentes”, pontuou.
Por sua vez, a presidente da Sociedade de Pediatria do Estado do Rio de Janeiro (Soperj), dra. Anna Tereza Miranda Soares de Moura, salientou a transição epidemiológica, vivida no contexto da assistência pediátrica brasileira, passando de um cenário em que prevalecia a mortalidade infantil para um novo panorama de alta prevalência de doenças crônicas. “Temos mobilizado a prática pediátrica no sentido de criar linhas de cuidado ampliadas, longitudinais, multidisciplinares e de longo prazo. A nefrologia é um exemplo. Pois um paciente com doença nefrológica crônica precisa de interdisciplinaridade e muito tempo de acompanhamento. O desejo da Comissão Organizadora é que o 21º Nefroped, por meio de seus cursos, conferências e mesas-redondas, contribua com a qualificação do conhecimento de todos os congressistas. Sejam todos muito bem-vindos ao Rio de Janeiro e aproveitem a estadia”, finalizou.
Também compuseram a mesa da solenidade de abertura do Congresso a presidente do Departamento Científico de Nefrologia da SBP, dra. Nilzete Liberato Bresolin, e a presidente do Departamento Científico de Pediatria da SBN, dra. Maria Goretti Moreira Guimarães Penido.