03/07/2026

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio do seu Grupo de Trabalho de Saúde Oral, lançou uma edição atualizada do Guia de Saúde Oral Materno-Infantil. Revisado à luz das evidências científicas mais recentes, o documento destaca que a saúde bucal da gestante vai muito além dos dentes e da gengiva, podendo influenciar a evolução da gravidez, a nutrição materna e o desenvolvimento do bebê. Segundo o guia, doenças como a periodontite estão associadas a desfechos gestacionais adversos, incluindo diabetes gestacional, pré-eclâmpsia, parto prematuro e baixo peso ao nascer.

Conforme explica a coordenadora do GT de Saúde Oral da SBP, dra. Dóris Rocha Ruiz, os dentes de leite começam a se formar por volta da sexta semana de gestação. “A saúde geral e a nutrição adequada da mãe afeta diretamente a formação dentária do bebê. É fundamental que toda mulher tenha um adequado pré-natal médico e que busque atendimento odontológico especializado durante o pré-natal, o chamado pré-natal odontológico”, enfatiza a dra. Dóris Rocha Ruiz, coordenadora do GT de Saúde Oral. 

Entre as condições mais frequentes na gestação, o guia aborda a cárie dentária, a erosão dentária, a doença periodontal (gengivite e periodontite), a hiperplasia gengival e granuloma gravídico (granuloma piogênico), além da xerostomia (ressecamento temporário da boca). 

A Organização Mundial de Saúde (OMS) publicou recentemente uma nova diretriz global na qual fornece recomendações baseadas em evidências para apoiar os países na prevenção e no tratamento da cárie dentária por meio de abordagens ambientalmente sustentáveis e menos invasivas, que promovam a segurança do paciente, a qualidade do atendimento e a proteção ambiental.  

Em uma visão de que a saúde oral é um indicador de saúde sistêmica, bem-estar e qualidade de vida do indivíduo. A doença periodontal, por exemplo, pode estar diretamente associada a problemas graves de saúde geral, como doenças cardiovasculares, doenças pulmonares, artrite reumatoide, diabetes e desfechos gestacionais adversos”, explicita a odontopediatra.

Assim, o guia recomenda às gestantes escovar os dentes com pasta fluoretada ao menos duas a três vezes ao dia, usar fio dental, trocar a escova a cada três meses, manter uma rotina de horários saudáveis para as refeições, dieta equilibrada, evitar bebidas e alimentos açucarados e utilizar enxaguatório oral somente com prescrição do cirurgião-dentista. 

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BEBÊ – De acordo com o guia, antes do surgimento dos dentes, não há necessidade de higienização diária da boca do bebê sem dentes em aleitamento materno exclusivo. Tão logo o primeiro dente de leite apareça, recomenda-se iniciar a escovação diária com escova de cerdas macias e pasta fluoretada na quantidade equivalente a um grão de arroz, sempre após o café da manhã e a última refeição da noite. Esse é também o momento indicado para agendar a primeira consulta preventiva ao odontopediatra. Caso nenhum dente tenha surgido, a consulta deve ser realizada até o primeiro ano de vida.

Nesse sentido, o guia desaconselha o uso de chupeta e mamadeira, uma vez que não existe “bico ortodôntico” equivalente ao mamilo materno e o uso prolongado desses itens pode levar a alterações no crescimento da boca e no posicionamento dos dentes

“O leite materno é fundamental para o bebê, tanto do ponto de vista nutricional quanto do desenvolvimento orofacial. A amamentação estimula corretamente os músculos, ossos e articulações temporomandibulares, favorecendo o desenvolvimento das arcadas dentárias e a respiração nasal”, explica a dra. Dóris.

Os bebês podem ter cárie dentária, gengivite e outras patologias orais. Ressalta-se que quando a cárie dentária é identificada, deve ser tratada imediatamente porque poderá haver destruição ou perda do dente de leite antes da hora, causar dor e afetar o desenvolvimento bucal. Outras doenças orais frequentes nessa fase são candidíase (sapinho) e gengivite. 

Já se houver algum tipo de queda que atinja a boca, situação que pode ocorrer na fase em que os bebês começam a engatinhar e a caminhar, a recomendação é levar o bebê ao odontopediatra imediatamente, pois o impacto pode afetar o desenvolvimento da boca e os dentes permanentes ainda em formação sob as gengivas.

INFÂNCIA – O período de troca dos dentes de leite pelos permanentes tem início por volta dos seis anos. Essa troca acontece em diferentes ciclos e deve acabar por volta dos 12 anos. Já os “sisos” normalmente, aparecem após os 17 anos. Sendo assim, a escovação deve ser realizada por um adulto responsável até a criança completar oito anos, pois elas ainda não possuem destreza motora suficiente. Normalmente, a criança pode realizar a escovação sozinha após os 8 anos de idade, sob supervisão de adultos. O uso de fio dental deve ser sempre incentivado e auxiliado por um adulto, além de instruções sobre limpar a língua com a escova ou um raspador de língua. 

Além disso, o guia explicita também que o creme dental infantil deve sempre conter flúor porque ajudará a reduzir o risco de ter cárie dentária; e que, quando a criança aprender a cuspir, a quantidade de pasta de dentes a ser colocada na escova deve ser semelhante ao tamanho de um grão de ervilha. O uso de enxaguatório oral na infância somente com a prescrição do odontopediatra.

Nessa fase, a cárie dentária e a gengivite são apontadas como as doenças orais mais comuns e resultam de desequilíbrios no microbioma oral. O guia destaca que medidas preventivas são sempre mais eficazes do que o tratamento e trazem os melhores resultados ao longo de toda a vida do indivíduo.

“A educação pelo exemplo é a forma mais eficaz de formar hábitos nas crianças. Escovar os dentes na presença delas transmite, de maneira natural, que a higiene oral é parte da rotina de cuidados com o corpo, assim como o banho diário”, conclui dra. Dóris.

EDUCATIVO – Nesta semana, a SBP lançou também o livro infantil “Missão dente de leite saudável”, que de forma lúdica conversa com as crianças sobre a importância da higiene bucal. A publicação pode ser acessada gratuitamente AQUI.