Na conversa que teve no dia 26 de junho (terça-feira) com o vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, o presidente Michel Temer disse estar disposto a enviar um avião para trazer de volta as crianças brasileiras que estão em abrigos, separadas dos pais que foram detidos por migração irregular. A informação foi divulgada pelo embaixador do Brasil em Washington, Sergio Amaral.
Segundo o embaixador, não há data para a liberação das crianças porque, “em primeiro lugar, não se sabe ao certo quantas são, quem são e nem onde estão”. Essas perguntas foram feitas formalmente pelo governo brasileiro ao governo dos Estados Unidos. Sérgio Amaral relatou que Temer disse compreender e respeitar que há uma legislação americana e uma política no tratamento à imigração ilegal. Mas pediu uma solução rápida para o drama das crianças.
Na véspera do encontro, realizado em Brasília (DF), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou um manifesto público, no qual cobra uma ação efetiva do governo brasileiro em favor das crianças brasileiras que se encontram separadas de suas famílias. “A manutenção dessa situação é insustentável, pois com isso as crianças afastadas de seus parentes, que se encontram em território americano, continuarão expostas a riscos e a situação de estresse emocional com impacto em seu desenvolvimento físico, mental e emocional”, cita o documento.
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Na sequência, em carta enviada pela subsecretária-geral das Comunidades Brasileiras e de Assuntos Consulares e Jurídicos do Itamaraty, embaixadora Maria Dulce Barros, ao embaixador dos Estados Unidos no Brasil, Michael McKinley, o Ministério das Relações Exteriores brasileiro afirma que há “inconformidade” da sociedade brasileira com a separação de crianças de seus pais na fronteira dos Estados Unidos.
Ela diz que, apesar de a decisão americana de separar famílias haver sido revertida, o assunto continua gerando “inconformidade e angústia” na sociedade brasileira. “Teme-se que os menores brasileiros que ainda se encontram nessa situação, muitos dos quais de tenra idade, estejam sofrendo trauma psicológico que poderá deixar sequelas graves ao longo de todas as suas vidas”, afirma a embaixadora, que expressou os argumentos defendidos pela SBP.
“É interesse do governo brasileiro conhecer como será feita, a partir de agora, a reunião familiar, visto que os pais privados de liberdade se encontram em presídios muitas vezes distantes do local de abrigo das crianças, bem como que cuidados lhes serão oferecidos”.
A carta diz ainda que o governo brasileiro tem consciência que as decisões dos Estados Unidos quanto à política migratória cabem a seus representantes eleitos. “Convém ressaltar, contudo, a expectativa de que, nas reformulações que venham a ocorrer, predomine a visão de solidariedade e generosidade que historicamente permeou os caminhos traçados pelo povo e pelos governantes americanos em relação à matéria”, conclui.