14/10/2026

Centenas de médicos pediatras vestidos de azul, com uma camiseta com frases em defesa da Pediatria, protagonizaram um grande ato simbólico no Expominas pelas reivindicações da categoria. Esse evento marcou a conclusão das atividades dedicadas à defesa profissional na quarta-feira (14), durante o 42º Congresso Brasileiro de Pediatria, em Belo Horizonte (MG).

A pauta dos pediatras foi sintetizada em um documento direcionado aos poderes públicos no qual a Sociedade Brasileira da especialidade (SBP) delineia uma agenda mínima a ser cumprida para assegurar a qualidade da assistência à população e o reconhecimento e valorização dos profissionais.

No documento, a SBP ressalta o papel fundamental da Pediatria na promoção da saúde, na prevenção de doenças, no diagnóstico precoce e no acompanhamento do crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes.

“Por isso, o acesso a esses pediatras deve ser assegurado desde os primeiros dias de vida até o final da adolescência no Sistema Único de Saúde (SUS) e na rede formada pelos planos de saúde”, cita o texto.

Entretanto, a Sociedade afirma que a redução da presença de pediatras em diferentes serviços assistenciais tem dificultado às famílias contar com o suporte, o que compromete a continuidade e a qualidade do cuidado oferecido à população infantojuvenil.

Como solução, a SBP propõe ampliar a presença desses especialistas em todos os níveis de atenção à saúde, especialmente na Atenção Primária à Saúde (APS), de forma integrada às equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF), contribuindo para o atendimento, o planejamento das ações em saúde e a qualificação do cuidado. A proposta respeita as atribuições dos profissionais que já atuam na rede e considera as necessidades e particularidades de cada território.

Essa reivindicação integra uma mobilização nacional que vem sendo construída pela SBP desde 2024, com participação de pediatras, filiadas estaduais, fóruns regionais e representantes da sociedade. A Carta de Recife, aprovada por unanimidade pelo Conselho Superior da entidade, e as mobilizações realizadas nas 27 unidades da Federação consolidaram uma pauta que agora ganha continuidade em Belo Horizonte.

Diante do exposto, a SBP conclama o Ministério da Saúde, o Congresso Nacional, os governos estaduais, as prefeituras e os gestores dos sistemas público e suplementar a assumirem o compromisso efetivo de atender a essa pauta de reivindicações, cientes de que essas medidas se adotadas podem contribuir para a melhoria dos indicadores de saúde dessa população, permitindo o desenvolvimento das futuras gerações. O mesmo pleito se estende aos candidatos eleitos ou que ainda estão na disputa por votos em 2026.

ITENS DA PAUTA DE REIVINDICAÇÕES DA PEDIATRIA:

 1) A aprovação do Projeto de Lei (PL) nº 4.305/2025 que prevê a presença de, no mínimo, um pediatra para cada quatro equipes da Estratégia de Saúde da Família, com organização assistencial adequada às necessidades locais.

2) A garantia de acesso à assistência pediátrica em todos os níveis de atenção, incluindo os serviços especializados, as urgências e emergências e a assistência hospitalar, no SUS e na saúde suplementar.

3) A valorização profissional, com remuneração adequada, vínculos estáveis e condições de trabalho que favoreçam a presença e a fixação de pediatras nos serviços de saúde.

4) O fortalecimento do acompanhamento regular do crescimento e desenvolvimento de crianças e adolescentes, com prioridade para a prevenção, a imunização, a identificação precoce de agravos e a orientação às famílias.

DEBATE – A defesa da Pediatria também foi tema da mesa-redonda “Defesa da Pediatria – Memórias e perspectivas”, durante o 42º CBP. Moderada pelo diretor de Defesa da Pediatria (SBP), Fábio Guerra, a atividade reuniu duas apresentações e foi seguida pelo ato “Pediatra na Atenção Primária à Saúde (APS) e em todos os níveis de atenção à saúde da criança e do adolescente”.

Guerra explicou que a defesa da Pediatria é mais ampla do que a defesa profissional. “Ela trata das condições de trabalho para o pediatra, da autoestima do pediatra, da sua inserção nos melhores campos de trabalho. Também trata do que é mais caro para nós, que é a assistência de qualidade às nossas crianças e aos nossos adolescentes”, destacou.

Na oportunidade, o presidente da SBP, Edson Liberal, apresentou os “Marcos dos Movimentos da Defesa”. A apresentação percorreu os seis grandes movimentos articulados pela entidade desde outubro de 2024, no 41º CBP, em Florianópolis (SC).

Entre eles estão os fóruns regionais, a Carta de Recife, a mobilização simultânea das filiadas estaduais em novembro de 2025, as visitas a parlamentares e o envio de cartas aos senadores em apoio ao Projeto de Lei (PL) 4.305/2025, cuja proposta estabelece a presença de, no mínimo, um pediatra para cada quatro equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF).

O presidente ressaltou ainda o diálogo com entidades médicas e conselhos de gestores da saúde. Segundo ele, a inserção do pediatra pode variar conforme a realidade de cada município, mas reforça que a proporção prevista no PL é uma referência geral e que outros formatos podem ser discutidos.

Também foi defendida a presença do pediatra (formado em Residência Médica ou aprovado em Exame de títulos da SBP) desde a porta de entrada do sistema. “É importante que a criança e o adolescente estejam bem atendidos e bem acompanhados. Alguém que trabalhou três anos com esse público não pode ficar à margem da entrada do sistema”, enfatizou.

A programação incluiu ainda a palestra “Pejotização na Pediatria – Autonomia profissional ou perda de direitos”, do assessor jurídico da SBP, Alberthy Ogliari. Ele apresentou um panorama sobre os limites entre a prestação de serviços por pessoa jurídica e a relação de emprego, e destacou o impacto sobre a categoria, formada majoritariamente por mulheres, segundo o Censo do Conselho Federal de Medicina.

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