28/06/2018

O presidente do Departamento Cientifico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dr. Renato Kfouri, alertou pais e responsáveis sobre a preocupante queda nas taxas de vacinação do Brasil. A imunização de bebês com menos de um ano de vida atingiu o menor nível dos últimos 16 anos e estão reaparecendo doenças graves, com capacidade de levar a óbito, que eram consideradas erradicadas. O alerta foi exibido em reportagem veiculada pelo programa Fantástico, da TV Globo, no domingo (24).

“A gerações atuais não vivenciaram casos de paralisia infantil, sarampo ou difteria. Eles simplesmente não conhecem essas doenças. Isso não ocorre apenas com a população em geral, os profissionais de saúde mais jovens também não conhecem, logo, acabam não recomendando as vacinas de maneira enfática e não cobram dos pacientes a carteira de vacinação atualizada”, disse dr. Renato Kfouri.

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SARAMPO – Depois de virar uma doença raríssima por décadas e ser considerado extinto nos últimos dois anos, o sarampo retornou ao Brasil junto com os imigrantes venezuelanos. Mais de 300 casos já foram confirmados nos estados de Roraima e Amazonas.

“No final de fevereiro deste ano, começaram a surgir os primeiros casos. Grande parte dos pediatras não conhecia a patologia a não ser pelos livros. (…) Em sua maioria, os pacientes vêm da Venezuela, mas temos também muitos brasileiros sendo diagnosticados, o que nos chocou”, informou a presidente da Sociedade Roraimense de Pediatria (SRP), dra. Adelma Figueiredo, sobre os casos registrados na região Norte.

Em 2017, quase todas as vacinas não atingiram a meta de imunizar ao menos 90% de seu público-alvo, o mínimo necessário para que a população fique protegida. Somente a BCG, indicada contra a tuberculose e aplica diretamente nas maternidades, conseguiu cumprir o objetivo.

REPERCUSSÃO – A baixa cobertura vacinal registrada no Brasil também foi abordada em matéria exibida pelo Jornal Nacional, da TV Globo, na última terça-feira (19). Na oportunidade, a presidente da SBP, dra. Luciana Rodrigues Silva, ressaltou a importância de os pais manterem as cadernetas de vacinação em dia, assim como do governo garantir para a população condições de acesso às vacinas na rede pública. “Seguramente, esses baixos números traduzem um fato preocupante: muitos pais e crianças não têm acesso a um pediatra que possa periodicamente fornecer orientações sobre as vacinas. Infelizmente, muitos pacientes só veem o pediatra em serviços de emergência”, enfatizou.

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