30/09/2026

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) apoiou a realização do 6° Encontro Internacional E.S.S.E. Mundo Digital. O evento, realizado no Rio de Janeiro (RJ), nos dias 23 e 24 de setembro, debateu os impactos das tecnologias digitais na vida de crianças, adolescentes e jovens sob a perspectiva da ética, da segurança, da saúde e da educação foi promovida.

Um dos destaques do Encontro foi a conferência proferida pelas dras. Evelyn Eisenstein e Susana Estefenon, ambas do GT de Saúde Digital da SBP. Na oportunidade, as pediatras apresentaram uma versão preliminar de um protocolo científico para avaliar se a criança ou o adolescente está em risco em sua interação com tecnologias digitais.

De acordo com a dra. Evelyn Eisenstein, o intuito do instrumento é auxiliar profissionais de saúde na identificação de três cenários possíveis: adaptação saudável, situação de alerta e risco elevado. A avaliação acontece com base nos critérios de Acesso (idade do primeiro uso das telas), Parentalidade (funcionalidade dos vínculos familiares e supervisão adequada), Guia de orientação (contato da família com materiais de referência sobre uso saudável de tecnologia), Atividades (impacto na rotina) e Riscos Reais (experiências de vulnerabilidade, probabilidade de sofrer violência ou outras repercussões).

Segundo adiantou a dra. Susana Estefenon, a partir de um roteiro de avaliação, o protocolo constata se existem fatores de proteção e pontua o contexto vivenciado pelo paciente, numa escala que vai de 0 a 10. “Quanto mais pontos, mais fatores de proteção”, disse.

NEURODIVERSIDADE – Outro painel de destaque foi o moderado pela diretora secretária-geral da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dra. Maria Tereza da Costa, sobre “Neurodiversidades e o Mundo Digital: barreiras invisíveis e tecnologias que incluem”. A atividade reuniu três especialistas que abordaram, sob diferentes ângulos, os desafios e as possibilidades proporcionadas pelas tecnologias digitais para crianças e adolescentes neurodivergentes.

De forma remota, o dr. Rupert Meadows, da organização britânica Internet Matters, apresentou o relatório “More Than a Game“, sobre o impacto dos jogos online em jovens neurodivergentes do Reino Unido e dos Estados Unidos. Por sua vez, a dra. Beatriz Bermudez, do Grupo de Trabalho (GT) de Saúde Digital da SBP, tratou das tecnologias assistivas como ferramenta de inclusão. A especialista definiu inclusão como o exercício de estar junto, compartilhar e participar, apresentando histórias reais de superação para reforçar que a escolha do recurso mais adequado deve ser sempre centrada na pessoa atendida e não na conveniência do profissional.

A professora Cibele Spigel, da Universidade Presbiteriana Mackenzie, discorreu sobre o caso de um menino identificado como Dedé, que iniciou o uso do celular com um ano e meio de idade e foi diagnosticado com Transtorno do Espectro Autista (TEA) aos dois anos. Spigel descreveu como o consumo de telas oscilou entre função educativa e fonte de forte desregulação comportamental, usando o relato para reforçar a recomendação da SBP de manter a primeira infância livre de telas. O momento final, conduzido pela dra. Tereza da Costa, enfatizou algumas das ações promovidas pela SBP com foco nas famílias, além de sublinhar as mudanças do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) que agora incluem o direito à saúde ambiental.

CONVIDADOS – A programação do evento contou ainda com a participação de outros integrantes do GT de Saúde Digital da SBP: dr. Eduardo Jorge Custódio da Silva, dra. Gabriela Crenzel e dra. Ana Luiza Braga. Os especialistas falaram sobre crianças e adolescentes na era dos algoritmos: o papel das escolas, das famílias e das plataformas; violência online, deepfakes, redes de ódio e discriminação: como prevenir e responsabilizar cibercrimes; e mais. Também marcaram presença convidados de entidades da sociedade civil e do poder público, entre eles: dr. Ricardo Horta, representante do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP); dr. Iagê Miola, da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD); Michael Rich, do Boston Children’s Hospital, de Boston (Estados Unidos); e sr. Tito de Morais e sra. Cristiane Miranda, do Projeto Agarrados à Net, de Porto (Portugal).

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