Disfunção vesical e intestinal na infância são abordados em documento científico da SBP

O Departamento Científico de Nefrologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulgou o documento científico “Disfunção vesical e intestinal na infância (DVI)”, termo usado para descrever um espectro de sintomas urinários e intestinais. De acordo com os especialistas, essa disfunção ainda é pouco reconhecida pelas famílias e também pelos profissionais. “É preciso compreender a estreita relação entre o trato urinário e o intestinal, e que a alteração em um dos sistemas pode alterar o outro”, explicam.

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Segundo o documento, os motivos mais comuns de consulta com os pediatras são a incontinência urinária, a infecção do trato urinário (ITU) e a constipação. A associação de constipação com disfunção do trato urinário inferior (DTUI) representa atualmente cerca de 40% dos encaminhamentos para uro e nefropediatras e a constipação intestinal em torno de 25% a 30% para gastroenterologistas. Em ambas especialidades é preciso questionar sobre os hábitos miccionais e intestinais. Entre as crianças com sintomas urinários, em 36% a 47% coexiste a constipação funcional.

“A DVI é um problema comum na prática pediátrica diária e causa de elevada morbidade com frequente ocorrência de ITU, refluxo vesicoureteral (RVU), cicatrizes renais e hipertensão arterial. A associação de DVI, RVU e ITU febril recorrente é fator de risco para cicatrizes renais, insucesso em cirurgias de RVU, pielonefrite aguda pós-cirurgia e não resolução espontânea do RVU”, diz trecho do documento.

MANIFESTAÇÕES – Os sintomas se apresentam com intensidade e frequência variáveis, dependendo do tipo de disfunção predominante. A ocorrência de ITU recorrente é frequente, cuja patogênese está relacionada ao RVU, a isquemia de mucosa vesical decorrente de alta pressão vesical, ao fenômeno “milk-back” - transferência da bactéria do meato uretral para a bexiga e principalmente ao resíduo urinário pós-miccional majorado pela retenção fecal.

“Os sintomas diurnos muitas vezes são pouco percebidos pelos familiares e cuidadores, considerados como distração, preguiça, transtorno de comportamento ou pouco relevantes. Conversar com a criança revela informações que muitas vezes os pais desconhecem”, explicam os especialistas.

INVESTIGAÇÃO E TRATAMENTO – O documento elenca ainda uma série de recomendações que ajudarão no diagnóstico, tais como diário das micções e evacuações; exames de urina; urofloxometria com eletromiografia (EMG) e avaliação de resíduo pós-miccional; uretrocistografia miccional (UCM) e urodinâmica (UD) ou videourodinâmica (VUD), cintilografia renal estática com DMSA; diagnóstico da retenção fecal; ressonância magnética de coluna vertebral.

“O tratamento da DVI é multidisciplinar e individualizado de acordo com a condição clínica de cada paciente, combinando diversas formas de terapia. Visa a melhora dos sintomas urinários, intestinais e suas consequências, pelo restabelecimento de um padrão de armazenamento, esvaziamento vesical e intestinal mais próximo possível do normal. A manutenção do resultado é parte importante do tratamento, por isso em geral acompanha toda a infância e os fatores decisivos são a motivação, a paciência e a participação dos familiares”, frisam os especialistas.

De acordo com os membros do Departamento Científico de Nefrologia da SBP, o diagnóstico de DVI tem sido cada vez mais precoce, o que vai modificar o prognóstico. O tratamento adequado previne o aparecimento de RVU secundário ou a resolução do RVU, redução de morbidade causada por ITU febril recorrente e prevenção de cicatrizes renais definitivas.

Atualmente, o Departamento é composto pela dra. Nilzete Liberato Bresolin (presidente); dra. Lucimary de Castro Silvestre; dra. Anelise Uhlmann; dr. Arnauld Kaufman; dra. Clotilde Druck Garcia e dr. Rubens Wolfe Lipinski. Também colaborou na produção deste documento a dra. Rejane de Paula Bernardes.


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