O acompanhamento do desenvolvimento de crianças de quatro a seis meses de idade é o tema do 3º volume do Guia Prático de Atualização da Caderneta de Saúde da Criança. A publicação, elaborada pelo Departamento Científico (DC) de Pediatria do Desenvolvimento e Comportamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), sob patrocínio da Mead Johnson, apresenta recomendações e sinais aos quais o pediatra deve estar atento para avaliar o crescimento do paciente e detectar possíveis anormalidades.
PARA ACESSAR A ÍNTEGRA DO DOCUMENTO, CLIQUE AQUI
De acordo com a presidente do DC de Desenvolvimento e Comportamento da SBP, dra. Liubiana Arantes de Araujo, esse rastreio serve para identificar alterações num período em que a avaliação e intervenção formais são cruciais para que a formação ocorra de maneira adequada. “A capacidade de neuroplasticidade da criança possibilita a organização de respostas mais funcionais. É importante ter em mente que o processo de desenvolvimento é contínuo e acontece como um todo, através de estímulos globais. A partir desse entendimento, fica mais fácil encontrar o que impede o paciente de exercer suas capacidades e funções de forma livre e plena”, pondera.
AVALIAÇÃO DO PACIENTE – Entre as principais instruções descritas para acompanhar o funcionamento motor, destacam-se a capacidade de segurar objetos, de levantar a cabeça de forma firme, o reflexo palmar e a habilidade de virar o próprio corpo. “Quando um objeto é oferecido a uma criança, aos quatro meses de vida, tocando no dorso da mão ou nos dedos dela, ela deverá abrir as mãos e segurar o objeto por pelo menos alguns segundos. Ao colocar a criança em decúbito ventral, em uma superfície firme, e chamar a sua atenção à frente com objetos ou o próprio rosto do examinador, é esperado que ela levante a cabeça e se apoie nos antebraços”, indica o texto.
A publicação apresenta também marcos a respeito de habilidades psicossociais comuns à faixa etária específica. Segundo o documento, nesse período, há um aumento da reciprocidade social entre a criança e o cuidador. “Os bebês são capazes de antecipar a intenção do cuidador, já acompanham seus movimentos e reconhecem a mamadeira e alguns outros objetos da sua convivência. Além disso, brincam com expectativa do horário de comer, sorriem quando estimulados de forma ativa, bem como se decepcionam ao serem frustrados, fazendo caretas ou chorando”.
SÍLABAS – O conteúdo do Guia traz ainda explanações acerca do desenvolvimento da linguagem. Aos pediatras é recomendado ter especial atenção à habilidade do bebê de emitir sons, murmurar, vocalizar socialmente, gritar e sorrir. “Aos 6 meses, consegue emitir sílabas isoladas, com combinação de consoante e vogal e consegue também obter a localização da fonte sonora”, exemplifica o texto.
A terceira edição do Guia Prático faz parte de uma série de 11 volumes, organizados por faixa etária, especialmente desenvolvidos pela SBP para orientar os pediatras a utilizar a Caderneta da Criança e do Adolescente. A iniciativa tem como motivação auxiliar os especialistas, após a aprovação da Lei 13.438/2017, ocorrida m outubro do ano passado, que torna obrigatória a adoção da Caderneta em consultas pediátricas para todas as crianças durante os seus primeiros 18 meses de vida.