Quase 15 mil crianças com menos de 10 anos de idade foram internadas em razão de acidentes envolvendo quedas somente no primeiro semestre de 2026. O dado consta num levantamento realizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a partir dos registros do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SIH/SUS). Os números apresentados pela SBP são ainda mais expressivos na comparação de outros períodos. Nos últimos 10 anos, de 2016 a 2025, foram mais de 330 mil internações por quedas nessa faixa etária, ou seja, uma média anual de 33 mil casos.
De acordo com o presidente da SBP, dr. Edson Liberal, os acidentes estão entre as situações que mais exigem atenção das famílias e dos cuidadores. “Grande parte deles pode ser evitada com medidas simples de segurança. É preciso investir na identificação prévia dos riscos que existem em cada ambiente onde a criança brinca, estuda e circula. Além disso, as diferentes fases do desenvolvimento exigem um olhar específico, com a adoção de cuidados adequados à idade e à capacidade de cada criança. A prevenção deve fazer parte da rotina”, pondera.
A presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP, dra. Adriana Rocha Brito, afirma que os riscos mudam em cada etapa do crescimento e desenvolvimento, o que exige que as medidas preventivas também acompanhem essas mudanças.
“É válido pensar em algumas estratégias que são complementares. Devemos investir um tempo pensando em como tornar os ambientes mais seguros. Além disso, os adultos também precisam conversar e orientar sobre as situações que podem causar acidentes. Por fim, manter a supervisão. O olhar vigilante dos pais e responsáveis ajuda a identificar situações de perigo e a intervir antes que uma queda aconteça”. Confira na tabela abaixo as recomendações de prevenção da SBP para cada idade.
| Faixa etária | Cuidados para prevenir quedas |
| Menores de 1 ano | Nunca deixar o bebê sozinho em locais altos, como cama, trocador, sofá ou cadeira. Preferir que brinque no chão, em ambiente protegido. Quando estiver aprendendo a sentar, manter supervisão próxima e utilizar proteção adequada para evitar quedas para trás. Nunca usar andador. Ao carregar o bebê em escadas, apoiar-se no corrimão e evitar pisos molhados ou escorregadios. Não deixar o bebê sob os cuidados de outra criança. |
| 1 a 4 anos | Instalar telas em janelas, sacadas e vãos desprotegidos e manter móveis e objetos longe desses locais. Evitar brincadeiras em superfícies molhadas ou escorregadias, especialmente em banheiros e áreas próximas a piscinas. Ao usar triciclos, patinetes ou skates, escolher equipamentos adequados à idade e ao peso, utilizar equipamentos de proteção e optar por locais seguros, nunca vias públicas. Redobrar a atenção com beliches e nunca deixar a criança sem supervisão de um adulto. |
| 5 a 9 anos | Supervisionar brincadeiras em locais de maior risco, como árvores, muros, lajes e parques. Bicicletas, patinetes, skates e outros brinquedos de locomoção devem ser usados sempre com equipamentos de proteção, como capacete, joelheiras, cotoveleiras e tornozeleiras. Evitar o uso de celular e outras telas enquanto a criança estiver caminhando, brincando ou em movimento, especialmente em vias públicas, pois a distração aumenta o risco de acidentes. |
ATENÇÃO REDOBRADA – Os dados revelam que, entre 2016 e 2025, as quedas foram mais frequentes na faixa etária de cinco a nove anos (193,8 mil casos). Nessa fase, as crianças começam a realizar atividades que demandam mais movimento, como correr, brincar em parques, utilizar brinquedos e praticar esportes. “Além disso, elas ainda estão desenvolvendo habilidades de equilíbrio e coordenação motora, o que reforça a necessidade da supervisão parental”, pontua.
Entre as crianças de um a quatro anos, foram 110,1 mil hospitalizações. Já na faixa daquelas com menos de um ano foram registrados 26,7 mil casos. Nessa faixa etária, chamam atenção especialmente os acidentes envolvendo quedas de leitos, que somaram 3,7 mil episódios.

INTERNAÇÕES POR ESTADO — Os números reforçam a importância de abordar a prevenção de acidentes, dentro e fora do ambiente doméstico, como uma questão de saúde pública. O tema estará em debate durante o 42º Congresso Brasileiro de Pediatria (CBP), que acontece em Belo Horizonte (MG), entre 13 e 17 de outubro. O estado de Minas Gerais responde sozinho por 10% de todas as internações por quedas, entre as crianças com menos de 10 anos. No período analisado, de 2016 a 2025, foram 33,4 mil notificações. Nos seis primeiros meses de 2026, a unidade da federação já acumulou 1,3 mil hospitalizações.
Pelos números apurados, as hospitalizações por quedas atingiram crianças em todas as regiões do País, entre 2016 e 2025. Porém, o estado com maior volume de registros foi São Paulo, com 71,7 mil internações. O segundo lugar do ranking foi ocupado por Minas Gerais. A Bahia completou o alto do pódio, com 27,2 mil episódios registrados. Outras unidades da também apresentaram números elevados foram Paraná (25,7 mil), Ceará (20,3 mil), Santa Catarina (16,9 mil), Rio Grande do Sul (16,6 mil), Rio de Janeiro (14,3 mil) e Pará (14,2 mil).
