Os impactos das mudanças climáticas, da poluição e da degradação ambiental sobre a saúde de crianças e adolescentes estiveram no centro das discussões do 3º Simpósio Brasileiro de Saúde Ambiental e Alterações Climáticas Extremas, realizado na terça-feira (13), durante o 42º Congresso Brasileiro de Pediatria (CBP).
Com o tema “Ambiente, Clima e o Futuro da Saúde da Criança e do Adolescente”, o encontro reuniu especialistas para discutir os riscos ambientais que afetam o desenvolvimento infantil e a necessidade de preparar os profissionais de saúde para essa realidade.
Rinaldo Tavares, presidente do Departamento Científico de Toxicologia e Saúde Ambiental da SBP e um dos coordenadores do simpósio, destacou que uma parcela expressiva das doenças infantis está relacionada a fatores ambientais que podem ser prevenidos.
“Entre 25% e 33% da carga global de doenças infantis têm raiz em exposições ambientais modificáveis. Estamos falando de algo que, ao contrário da genética, podemos mudar”, afirmou.
Para o especialista, é necessário ampliar a capa cidade dos pediatras de identificar essas exposições e incorporar a prevenção à prática clínica, considerando também que os riscos ambientais atingem de forma desigual os diferentes grupos sociais.
Um dos coordenadores do simpósio, Clóvis Francisco Constantino, ressaltou que a questão ambiental precisa fazer parte da formação e da responsabilidade profissional dos médicos. Segundo ele, os efeitos da degradação do planeta não se limitam à saúde física, podendo atingir também o bem-estar mental e social de crianças e adolescentes.
O especialista defendeu que médicos, professores e profissionais em formação sejam preparados para compreender esses desafios e orientar as famílias. “O meio ambiente já é uma questão diagnóstica; não é mais uma questão de disputa ou de debate abstrato”, afirmou.
O presidente da SBP, Edson Liberal, também chamou a atenção para a vulnerabilidade da população pediátrica aos efeitos da poluição e da contaminação ambiental.
“A população pediátrica é uma das que mais pagam o preço pelo não controle da poluição e cada vez mais vem sofrendo com as questões respiratória e ambiental. Portanto, é fundamental que a gente se posicione: qual é o meio ambiente que queremos deixar para as crianças e adolescentes do futuro?”, perguntou.
A programação científica abordou temas como os efeitos dos eventos climáticos extremos sobre a morbimortalidade infantil, a relação entre alterações ambientais e a disseminação de arboviroses, como dengue, zika e chikungunya.
Também foram abordados os impactos da poluição do ar sobre as doenças respiratórias, bem como da exposição a substâncias químicas. O debate ainda tratou dos efeitos dos agrotóxicos e dos desreguladores endócrinos, além dos riscos da neurotoxicidade ambiental nos primeiros mil dias de vida.
Outras discussões trataram de saneamento básico, alimentação, ambientes saudáveis para o desenvolvi mento infantil e desigualdades socioambientais. O simpósio foi encerrado com um debate sobre as Diretrizes Curriculares Nacionais de 2025 e o futuro da formação médica, com foco na preparação de estudantes e pro fissionais para reconhecer os riscos ambientais e orientar pacientes e famílias.