A mortalidade neonatal é o principal componente da mortalidade infantil no País desde a década de 1990, mantendo-se em níveis elevados. Dados do Ministério da Saúde apontam que a taxa de óbitos nesta etapa da vida é de 9,9 bebês a cada mil nascidos vivos. “Precisamos investir muito em reanimação neonatal para reduzir esse índice”, afirmou o presidente do 24º Congresso Brasileiro de Perinatologia, dr. Manoel Reginaldo Rocha de Holanda, durante o curso sobre o tema, ocorrido na última terça-feira (25), em Natal (RN).
Essa foi uma das atividades que integraram a fase preliminar do 24º Congresso Brasileiro de Perinatologia. O especialista ressaltou que o Brasil sofre uma desestruturação nos serviços de atendimento ao recém-nascido, com a desorganização da rede perinatal em muitos estados. “Nos municípios do interior, não há assistência de alto risco. Grande parte das cidades só tem esse tipo de atendimento nas capitais e regiões metropolitanas. É preciso uma rede descentralizada, hierarquizada e humanizada”, comenta.
Segundo conta, houve um movimento com a Rede Cegonha, que tentou fazer essa organização, mas não atingiu todos os objetivos. “É preciso que os governos federal, estaduais e municipais criem condições para esse tipo de assistência de alto risco, com hospitais bem equipados e um número de vagas suficientes de leitos de UTI Neonatal”, completa.
Dr. Manoel de Holanda citou ainda o levantamento feito pelo Departamento Científico de Neonatologia da SBP que indica como número ideal de leitos de UTI Neonatal uma média de quatro para cada 1 mil nascidos vivos. “Atualmente, temos a metade disso no Brasil. Mesmo assim, esses leitos não são bem distribuídos, ficando a maioria concentrados nas capitais. No interior, os hospitais funcionam com a capacidade mínima. Isso piora a assistência ao recém-nascido, pois na falta de leitos há a necessidade de se fazer um transporte longo, piorando o prognóstico desse bebê”, observou.
Para o presidente do Congresso, a qualificação da assistência ao recém-nascido contribuirá para a redução da mortalidade neonatal, que corresponde a 60% dos óbitos infantis. “Precisamos investir muito na parte de obstetrícia, qualificando o pré-natal e a assistência ao parto, e na qualificação da equipe que trabalha com os recém-nascidos, especialmente aqueles que, por algum motivo, carecem de cuidados intensivos”, acentuou.
Na oportunidade, ele também destacou o trabalho dos pediatras generalistas e dos neonatologista que realizam esse tipo de assistência. “São verdadeiros heróis, pois a maioria atua em situações extremamente precárias e, ainda assim, conseguem fazer um trabalho competente graças à garra e vontade próprias, fazendo muitas vezes o papel de regulador para conseguir as vagas para os bebês”, finalizou.