15/10/2026

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) vai ratificar o seu compromisso com a Declaração de Punta Cana, firmado em 2022, que estabelece metas para as entidades médicas de pediatria da América Latina voltadas à promoção da defesa das práticas e políticas públicas para mitigar fatores de risco desde os primeiros anos de vida.

Entre as ações que as organizações devem trabalhar estão, o incentivo ao aleitamento materno, à alimentação e hábitos saudáveis e ao controle ambiental, assim como o estímulo ao engajamento da Pediatria como agente da prevenção das doenças crônicas não transmissíveis (DCNT).

O anúncio desta decisão aconteceu ao final da discussão sobre as DCNTs, da concepção à adolescência, que foi o eixo da oficina sob o tema “Dos primeiros 1000 dias até a adolescência”, realizada na manhã de quinta-feira (15). A atividade foi organizada pela Sociedade Brasileira de Pediatria e pela Associação Latino-Americana de Pediatria (Alape), com apoio da Associação Internacional de Pediatria (IPA) e do Instituto Nacional de Saúde da Mulher, da Criança e do Adolescente Fernandes Figueira (IFF/Fiocruz).

Durante a oficina, foram abordadas questões relacionadas às origens do desenvolvimento da saúde e da doença (teoria DOHaD), à influência do ambiente e das exposições precoces (como poluentes e desreguladores endócrinos, sobre o desenvolvimento cerebral e o risco de doenças crônicas) e ao papel do pediatra e das políticas públicas na prevenção, da gestação à adolescência.

Em sua participação, Maria Tereza Costa, secretária-geral da SBP e organizadora da oficina, explicou que o tema da atividade se relaciona à valorização do pediatra e à sua atuação em todos os níveis de atenção, inclusive na Atenção Primária à Saúde (APS), por permitir investir nas fases mais precoces da vida, até mesmo antes da concepção.

“É importante aproveitar oportunidades, identificar janelas críticas e reconhecer as potencialidades de atuação sobre os riscos e de implementação de ações que visem à prevenção das doenças crônicas, diminuindo, dessa forma, a carga de doenças na vida adulta”, destacou.

Para Carlos Alonso Rivera, presidente eleito da IPA, citou desafios da região, como o acesso precário à saúde. “Em nossos países, ainda existem desigualdades. O acesso à saúde não é simples para todas as populações”. Ele apontou o Brasil como referência, pela organização dos pediatras, e reforçou a importância da presença da SBP nos fóruns internacionais.

Marcela Fama Pereira, presidente da Alape, também destacou a SBP, como uma das maiores sociedades da região, e o trabalho conjunto em áreas como prevenção da violência e saúde ambiental. Segundo ressaltou, “é muito importante estar articulados como região para seguir trabalhando da melhor maneira por nossa infância”. Por sua vez, a parceria entre o IFF/Fiocruz e a SBP, unidas pela capilaridade nacional, foi destacada por Mariana Setúbal, representante da instituição de ensino. Em sua participação, ela destacou que há uma preocupação coletiva com o futuro. “Caminhamos juntos e queremos garantir o melhor cuidado das nossas crianças e dos nossos adolescentes”.

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