24/05/2018

A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) anunciou mudança no seu Departamento Científico (DC) de Toxicologia que, a partir de agora, passará a ser nomeado oficialmente como Departamento Científico de Toxicologia e Saúde Ambiental. A inclusão do novo termo busca trazer mais visibilidade para as questões relacionadas aos efeitos nocivos dos agentes químicos, de origem natural ou sintética, sobre o ser humano e o meio ambiente.

“A saúde ambiental lida com aspectos tradicionais, como saneamento básico, tratamento de água, entre outros. No entanto, grande parte das preocupações também tem como foco o impacto da poluição dos ecossistemas sobre o corpo humano. Tudo isso faz parte do nosso campo de trabalho e preocupação”, explica o presidente do DC de Toxicologia e Saúde Ambiental, dr. Carlos Augusto Mello da Silva.

O pedido de alteração para a nomenclatura mais adequada ao escopo de atuação proposto foi debatido pelos integrantes do Departamento, durante a reunião do grupo no 38º Congresso Brasileiro de Pediatria, ocorrido em outubro passado, em Fortaleza (CE). A solicitação foi formalmente encaminhada à diretoria da SBP, sendo aprovada por unanimidade na última reunião do Conselho Superior, em São Paulo (SP), em abril.

De acordo com o dr. Carlos Augusto, a degradação dos rios, oceanos, solo e ar, tem impacto especialmente prejudicial para a população pediátrica, devido a maior fragilidade desses indivíduos em comparação aos adultos. “Um homem já maduro, que respira ar impuro, sofre menos, pois seu corpo já está desenvolvido. Mas, por exemplo, se um recém-nascido tem contato com ar contaminado, a situação é extremamente preocupante. O cérebro e sistemas estarão em processo de formação até o fim da adolescência”, explicou.

Na avaliação dos membros do Departamento, cada vez mais a busca por um diagnóstico exige uma análise complexa do paciente, inclusive porque tem aumentado o número de casos em que doenças não são ocasionadas por vírus ou bactérias, mas adquiridas por exposição ambiental. Eles lembram que as recomendações mais atualizadas indicam que devem fazer parte da investigação das causas de um problema de saúde perguntas sobre o histórico do lugar onde o paciente reside, origem dos alimentos que consome, entre outros questionamentos relacionados aos espaços no qual está inserido e onde mantém contatos.

Atualmente, a comunidade médica em diversas partes do mundo já define de forma clara a correlação entre a toxicologia e a saúde ambiental. No Brasil, a iniciativa pioneira da SBP demonstra o alinhamento da entidade aos padrões da pediatria internacional. “O estudo sobre intoxicação não está relacionado apenas às práticas em consultório. Na realidade, os esforços também precisam estar direcionados ao meio no qual os pacientes estão inseridos, até mesmo porque a prevenção é mais eficaz do que a tentativa de remediar um problema já deflagrado”, conclui o presidente do DC.