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41% dos bebês têm só aleitamento materno

Arquivo 02/08/2012

Publicado em 2 de agosto de 2011

A semana da amamentação, que tem como madrinha Juliana Paes, é comemorada anualmente
FOTO: ERASMO SALOMÃO/MINISTÉRIO DA SAÚDE

O Ministério da Saúde lança campanha para estimular amamentação e divulgar Guia dos Direitos da Gestante

Rio de Janeiro. Com o tema “Apoie a mulher que amamenta, seja um amigo do peito”, o ministério da Saúde lançou ontem no Rio a Campanha Nacional de Amamentação 2011. Durante o evento, que marcou a abertura da Semana Mundial de Amamentação, também foi lançado o Guia dos Direitos da Gestante, em parceria com o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).

A madrinha da campanha de 2011 é a atriz Juliana Paes, que afirmou ainda amamentar o filho Pedro, de oito meses. O ideal, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), é o aleitamento materno até dois anos ou mais, com outros alimentos a partir dos seis meses.

A cartilha, com ilustrações de Ziraldo, será levada prioritariamente às regiões do País com menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH). Para a representante do Unicef no Brasil, Marie-Pierre Poirier, a sociedade brasileira precisa apoiar mais as mães. “Muitas mulheres ainda sofrem preconceito ao amamentar em público. É um ato que deve gerar solidariedade, não discriminação”, disse.

No Brasil, o índice de crianças de até seis meses que se alimentam exclusivamente de leite materno está abaixo do recomendado pela OMS. Enquanto o considerado ideal está entre 90% e 100%, no País são apenas 41%. “Queremos chegar, sim, a 80% do aleitamento materno exclusivo e precisamos de um conjunto de ações para isso Não depende só do governo, mas das próprias famílias – dos pais, principalmente -, e também das empresas”, disse o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Apoio

Para o presidente do Departamento de Aleitamento Materno da Sociedade Brasileira de Pediatra (SBP), Luciano Borges, uma das soluções está na lei de 2008, regulamentada em 2010, que aumentou de quatro para seis meses a licença maternidade. A adesão, no entanto, é facultativa. Entre janeiro e dezembro de 2010, 10.518 empresas se comprometeram a conceder os 60 dias adicionais. “Há um índice alto de desistência entre as mulheres que voltam a trabalhar em quatro meses”, disse o presidente.

Para o ministro, a quantidade de empresas que passou a cumprir a lei que garante licença maternidade até seis meses para incentivar o aleitamento pode ser ampliado. “Esse número ainda é pequeno. Nós podemos aí duplicar, triplicar. Isso deve crescer bastante, mas não só a licença maternidade como outras alternativas que as empresas podem buscar para apoiar a amamentação materna”, disse Borges.

Mortalidade infantil

Um dos objetivos do milênio ratificados pelo Brasil é reduzir em dois terços, entre 1990 e 2015, a mortalidade infantil entre menores de cinco anos. De acordo com a OMS, o aleitamento materno exclusivo é capaz de diminuir em até um quinto as mortes nessa faixa etária. “O aleitamento é bom para a mãe e o bebê” , disse Borges.

Para mãe Sheila Oliveira, 37, “a amamentação previne o bebê de várias doenças, inclusive de alergias”. Só Acre e Maranhão, de acordo com a SBP, ainda não concederam os seis meses às servidoras estaduais.

SANTA CATARINA

Empresa é condenada por dificultar amamentação

São Paulo. A empresa de vigilância Ondrepsb foi condenada pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Santa Catarina a pagar uma indenização de R$ 100 mil por criar empecilhos para uma mãe amamentar sua filha recém-nascida.

A menina morreu 50 dias após o término do período de licença-maternidade, por uma inflamação no cérebro decorrente de uma virose. A sentença é de 26 de julho e a empresa diz que vai recorrer. A Ondrepsb foi considerada culpada por afastar Marilda Nascimento do convívio com sua filha. Antes da gravidez, ela trabalhava como vigilante em um banco de Itajaí (97 km de Florianópolis).

Quando retornou ao serviço, a vigilante passou a sair de casa às 6h e a retornar por volta das 19h30. A menina foi matriculada em uma creche.

Para o juiz José Ernesto Manzi, relator do caso, as dificuldades criadas caracterizam assédio moral. “Não dá para demonstrar uma relação de causa e morte, mas é inegável que a situação gerou enorme estresse e abalo moral”, disse.

Colegas de trabalho chegaram a acusar Marilda de inventar a doença da filha para não trabalhar, diz a advogada dela, Celina Rinaldi. Marilda não quis dar entrevista Procurada pela reportagem, a assessoria jurídica da Ondrepsb disse considerar “injusta” a sentença.