Com o objetivo de debater temas relevantes e atuais da infectologia pediátrica, começa nesta quarta-feira (14) o 20º Congresso Brasileiro de Infectologia Pediátrica (Infetcoped), organizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) em parceria com a Sociedade Baiana de Pediatria (Sobape). O evento, que segue até o sábado (17), em Salvador (BA), contará com palestras de renomados profissionais nacionais e internacionais. Um dos destaques da programação científica é a palestra sobre “Infecções na criança imigrante e o risco de reintrodução de doenças eliminadas”.
O tema faz parte do Simpósio “Revisitando antigas doenças” e será ministrado em palestra da dra. Marion Burger, na sexta-feira (16). Na oportunidade, serão discutidos também assuntos como “Coqueluche: Novas Estratégias de Controle”; e “Influenza: O que Há de Novo no Tratamento?”.
Segundo a dra. Marion, a palestra tem como propósito debater a situação das crianças refugiadas, que muitas vezes vêm de países que não oferecem vacinação e condições de higiene sanitária, por exemplo, e acabam chegando portando doenças, assim como seus pais e familiares. “Darei ênfase para as doenças que estamos vendo reemergir, como o sarampo, a difteria, a cólera, tuberculose e a malária. Essas podem vir com esses refugiados ou mesmo com imigrantes, mas só irão proliferar e causar surto aqui no Brasil se nós não fizermos a nossa tarefa de casa, que é manter boas coberturas vacinais”, explica.
A pediatra ressalta também que essa questão representa um desafio no cuidado e é preciso que os profissionais de saúde estejam atentos à possibilidade de as crianças estarem apresentando alguma dessas doenças que não existem mais em grandes proporções no Brasil. “Temos que relembrar os cuidados básicos para que essas doenças não encontrem um campo fértil aqui no Brasil e, assim, não apresentem surtos da doença, como temos vivenciado em relação ao sarampo”, enfatiza.
A infectologista diz ainda que apresentará um caso clínico de uma criança infectada que veio para o Brasil e que não ocasionou nenhum surto porque a vacinação da população para a doença estava em dia. “É extremamente importante termos a visão de que só vamos haverá surto se as pessoas não estiverem vacinadas. A culpa não é dos refugiados e nem dos imigrantes, mas do fato de as campanhas de vacinação não terem tido a adequada adesão. Com isso, ocorre a eclosão desses surtos de sarampo, principalmente em Roraima e no Amazonas, como temos visto”, afirma.
Segundo a dra. Marion, o tema principal de sua palestra não será somente a criança refugiada doente, mas também a prevenção de surtos de doenças já eliminadas no Brasil por meio de uma vacinação adequada. “É necessário lembrar da malária, que é uma doença que nós vemos em grande quantidade na região extra-amazônica. No entanto, com o fluxo dos imigrantes estamos tendo desafios de lembrar não só dos sintomas, mas também dos métodos de diagnóstico e tratamento da doença para quem vive nessa região e isso tem sido um desafio”, conclui.
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