22/06/2026

Crianças com menos de cinco anos de idade representam a faixa etária mais afetada por queimaduras entre pacientes pediátricos no Brasil. Levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) mostra que esse grupo concentrou 53,8% de todas as internações por queimaduras registradas entre crianças e adolescentes no Sistema Único de Saúde (SUS) entre 2024 e 2025. O alerta ganha ainda mais relevância com a proximidade das festas juninas e julinas, período em que aumentam os riscos de acidentes relacionados ao uso de fogueiras, fogos de artifício e ao manuseio de líquidos e alimentos quentes.

Somente nos últimos dois anos, o SUS registrou 13,8 mil internações de crianças e adolescentes por queimaduras e outros acidentes térmicos graves, sendo 6.964 casos em 2024 e 6.855 em 2025. Como o levantamento considera apenas os casos que exigiram hospitalização, especialistas alertam que o número real de ocorrências é muito maior. Em média, quase 20 crianças e adolescentes foram internados por dia por esse tipo de acidente no período analisado.

“As queimaduras são muito mais frequentes do que os números sugerem, já que inúmeros episódios leves e moderados não chegam aos hospitais. As crianças pequenas são as mais vulneráveis porque exploram o ambiente ao seu redor sem compreender plenamente os riscos envolvidos”, alerta.

O levantamento mostra ainda que, entre as crianças e adolescentes hospitalizados por queimaduras e outros acidentes térmicos no período analisado, 20% tinham entre cinco e nove anos de idade, o equivalente a 2.820 internações. Na sequência aparecem os pacientes de 10 a 14 anos, com 1.848 registros (13%), e os adolescentes de 15 a 19 anos, com 1.721 casos (12%).

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De acordo com a análise da SBP, a maior parte das internações está relacionada a acidentes provocados pelo contato com fontes de calor e substâncias quentes, situação comum em ambientes domésticos e frequentemente associada ao preparo de alimentos e ao manuseio de líquidos aquecidos.

Em seguida, destacam-se as ocorrências envolvendo exposição à fumaça, ao fogo e às chamas. Também foram registrados casos decorrentes de exposição à corrente elétrica, temperaturas extremas, agressões e outros eventos relacionados a queimaduras e acidentes térmicos.

Já os dados do Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM) revelam que as formas mais graves desses acidentes resultaram em mais de 300 óbitos de crianças e adolescentes em cada um dos anos de 2023 e 2024.

RISCO POR TODO O PAÍS – Em números absolutos, a Região Sudeste registrou o maior volume de internações pediátricas por queimaduras e outros acidentes térmicos em ambos os anos analisados, com 2.203 casos em 2024 e 2.328 em 2025. Na sequência aparecem o Nordeste (1.830 e 1.799 registros, respectivamente), o Sul (1.675 e 1.763), o Norte (724 e 692) e o Centro-Oeste (533 e 525).

Entre os estados com maior número de internações pediátricas por queimaduras e outros acidentes térmicos, em 2024, destacaram-se Paraná (886 registros), São Paulo (815), Bahia (658), Rio de Janeiro (637) e Minas Gerais (524). Já os menores quantitativos foram observados em Roraima (12 casos), Sergipe (15), Amapá (24), Acre (26) e Pernambuco (46).

Em 2025, São Paulo passou a liderar o ranking nacional, com 1.014 internações, seguido pelo Paraná (969), Bahia (650), Santa Catarina (501) e Minas Gerais (463). Entre os menores volumes registrados no período estão Roraima (8 casos), Sergipe (16), Amapá (37), Acre (38) e Pernambuco (41).

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FESTAS JUNINAS – Segundo a presidente do Departamento Científico de Segurança da SBP, dra. Adriana Rocha Brito, a chegada das festas juninas e julinas exige atenção redobrada para os riscos associados a fogueiras, fogos de artifício e outros materiais inflamáveis. “Prevenir continua sendo o melhor remédio. Crianças e adolescentes não devem participar de atividades que envolvam fogo. Nunca se deve permitir que manuseiem rojões, bombinhas ou artefatos semelhantes. A maioria dos acidentes pode ser evitada com medidas simples de prevenção e supervisão adequada”, afirma.

A pediatra ressalta ainda que os cuidados devem se estender especialmente ao ambiente doméstico, onde ocorrem muitos dos acidentes com queimaduras. “Tomadas desprotegidas, panelas e recipientes com líquidos quentes ao alcance das crianças, além do uso inadequado de álcool líquido, são situações que podem provocar lesões graves em poucos segundos. O melhor caminho é adaptar os ambientes para reduzir riscos e manter vigilância constante, especialmente com as crianças menores”, conclui.

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