O Grupo de Trabalho (GT) Pediatria Internacional dos Países de Língua Portuguesa da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) promoveu, na última quinta-feira (9), um webinar sobre tuberculose (TB) na infância. A atividade reuniu especialistas para discutir os desafios do diagnóstico e as estratégias de enfrentamento da doença nos países lusófonos.
Na oportunidade, o presidente da SBP, dr. Edson Liberal, destacou a importância do trabalho conjunto dos Países nessa troca de informação. “A pesquisa conjunta e troca de experiências entre os países de língua portuguesa são fundamentais para acelerar a eliminação da tuberculose, especialmente na infância, que representa um desafio diagnóstico considerável”, afirmou o especialista.
CABO VERDE – A primeira apresentação foi da dra. Ofélia Monteiro, do Hospital Dr. Agostinho Neto e consultora do Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose de Cabo Verde, que mostrou o panorama da doença no país, que reduziu a incidência geral de TB entre 2015 e 2025, mas registrou aumento de casos pediátricos a partir de 2023. A especialista destacou, entre outras coisas, as dificuldades do diagnóstico infantil e as ferramentas usadas no país, como a prova tuberculínica e o sistema de pontuação clínica, além da alta cobertura vacinal de BCG.
BRASIL – Já a segunda aula foi do dr. Clemax Couto Sant’Anna, professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro e membro de comitês de tuberculose do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OMS). O pneumologista apresentou os dados brasileiros, que somam cerca de 84 mil novos casos por ano. Ele explicou o protocolo diagnóstico nacional, baseado em sistema de pontuação clínica e laboratorial, e os esquemas de tratamento preventivo mais utilizados no país, entre outros tópicos.
O webinar contou ainda com a moderação do dr. Inácio Alfredo da Costa, da Guiné-Bissau, médico, mestre em Epidemiologia e Saúde Pública e coordenador do Programa Nacional de Luta contra a Tuberculose e Lepra em seu país. Ao final, os palestrantes responderam a perguntas enviadas pelo público, que trataram de temas como a interpretação de amostras fecais, a conduta em crianças assintomáticas em contato com casos de TB e a adesão à medicação pediátrica.