Publicado em 15 de junho de 2020 – por Roberta Pennnafort, CBN
Circulam nas redes sociais mensagens que dizem que cinco pandemias mundiais desde 1997 tiveram origem na China: a de H5N1 (gripe aviária), a da Sars (síndrome respiratória aguda grave), a de H1N1 (gripe suína), a de H7N9 (subtipo do vírus influenza que também causa a gripe aviária) e a da Covid-19. É #FAKE.
A mensagem, em tom xenófobo, diz: “A China já nos venceu cinco vezes sem disparar nenhum tiro”. Mas o H1N1 foi verificado primeiro no México (em 2009), e não na China. E o surto de H5N1 em humanos se deu em Hong Kong (em 1997), um território autônomo do país.
[…] Segundo o infectologista Renato Kfouri, presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria, já existe, inclusive, uma discussão ética sobre os hábitos chineses envolvendo o convívio com animais vivos e suas implicações mundiais.
“A Ásia tem sido o berço dessas epidemias porque culturalmente há o convívio forte de animais e seres humanos, além da alta densidade. Não à toa, quando se discute o ‘novo normal’ já se debate se é ético, justo e aceitável esse tipo de comportamento, levando em conta todos os riscos mundiais que isso implica, ou seja, não só pra a China. É algo a ser discutido em nível de saúde global. É uma discussão ética incipiente”, conta Kfouri.
“Esses vírus zoonóticos vão surgindo todo o tempo e, por vezes, um adquire esse potencial pandêmico. Para isso, é preciso ter proximidade de animais vivos e seres humanos, e grandes adensamentos populacionais. O México, com o H1N1, foi uma exceção”, diz o médico.