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O mês Mundial de Doação de Leite Humano foi instituído como uma forma de conscientizar a população sobre a importância do ato e os benefícios dele. O leite materno é o alimento mais completo e adequado para o recém-nascido, pois contém todos os nutrientes necessários para o desenvolvimento e proteção contra doenças. Além disso, a amamentação também fortalece o vínculo afetivo entre mãe e filho, trazendo benefícios emocionais para ambos.
Apesar das vantagens, muitos ainda sofrem as consequências da falta desse alimento. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 7 milhões de crianças morrem anualmente no planeta antes de completar cinco anos, e a falta de amamentação é uma das principais causas. O principal fator que corrobora para esse índice é a dificuldade que algumas mães enfrentam ao tentar amamentar. Os motivos vão desde a baixa produção do leite até o uso de medicamentos incompatíveis com a lactação. Nesses casos, a doação se torna a alternativa segura e eficaz para garantir a nutrição e proteção que os bebês necessitam.
Para suprir a demanda dos bancos de leite é necessário que haja união e conscientização de toda a sociedade, especialmente das famílias que atuam como rede de apoio para as lactantes. Em Goiânia, por exemplo, existem pelo menos três unidades de saúde que recebem as doações. Qualquer mulher que queira contribuir e possua leite excedente pode passar por uma avaliação e se tornar doadora. Basta fazer um cadastro em qualquer banco de leite ou posto de coleta. Ao final, a mãe recebe orientações práticas sobre ordenha e acondicionamento do leite em recipientes próprios que são oferecidos pelo próprio hospital. Após recebido, o material é pasteurizado e distribuído para os recém-nascidos prematuros ou com baixo peso, que são os mais vulneráveis e têm maior dificuldade para se alimentar.
Os benefícios da doação de leite materno não se limitam apenas aos bebês que recebem o alimento. A doação também traz vantagens para as mães doadoras, como a redução do risco de câncer de mama e a promoção da recuperação pós-parto. Além disso, o ato também ajuda a aumentar a autoestima e a sensação de realização pessoal das doadoras.
Considerar a possibilidade de doar leite ou incentivar o ato são atitudes que podem ser determinantes para o bem-estar e a vida saudável de muitas crianças.
Por Valéria Granieri, presidente da Sociedade Goiana de Pediatria (SGP)