No Dia Mundial sem Tabaco (31 de maio), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) divulga uma nota de alerta sobre o crescimento do uso de cigarros eletrônicos entre crianças e adolescentes brasileiros. Produzido pelo Departamento Científico de Pneumologia da entidade, o documento chama atenção para o avanço do consumo de vapes entre jovens, impulsionado principalmente pelas redes sociais e pelo fácil acesso aos dispositivos, apesar da proibição de comercialização, importação e propaganda determinada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
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Dados da Pesquisa Nacional de Saúde do Escolar (PeNSE 2024) mostram que, em apenas cinco anos, a experimentação de vapes entre adolescentes de 13 a 17 anos saltou de 16,8% para quase 30%. Significa dizer que quase 3 em cada 10 estudantes do País, nessa faixa etária, já usaram o dispositivo ao menos uma vez na vida.
“Redes sociais, plataformas digitais e o comércio informal são as principais portas de entrada para esses dispositivos. A atratividade dos aparelhos, com sabores adocicados e design discreto, contribui para a falsa percepção de que seriam alternativas seguras ao cigarro convencional. No entanto, os impactos respiratórios do uso dos DEFs, não diferente dos classicamente descritos para o tabaco convencional, são cada vez mais evidentes”, destaca o documento.
Os DEFs costumam apresentar concentrações de nicotina superiores às do cigarro convencional, e alguns modelos descartáveis equivalem à exposição de dezenas de maços. Como o cérebro do adolescente ainda está em formação, a nicotina atua rapidamente sobre o sistema dopaminérgico, gerando dependência antes mesmo de os jovens compreenderem os riscos envolvidos. O uso também está associado a prejuízos cognitivos, alterações de atenção, memória e aprendizagem, além de maior risco de ansiedade, depressão e consumo futuro de outras drogas.
Além disso, os aerossóis dos desses dispositivos contêm metais pesados, compostos orgânicos voláteis e partículas ultrafinas que atingem profundamente as vias aéreas, podendo agravar a asma e aumentar o risco de doença pulmonar obstrutiva crônica na vida adulta. “É fundamental que o tabagismo seja reconhecido como uma doença pediátrica, já que a maioria dos casos de dependência tem início na infância ou na adolescência. Perguntar rotineiramente sobre experimentação de cigarros eletrônicos, narguilé e cigarro convencional deve fazer parte da anamnese de crianças e adolescentes, especialmente durante a adolescência, sem julgamento, reconhecendo a dependência nicotínica como condição clínica que necessita de escuta qualificada, orientação e acompanhamento”, concluem os especialistas.