A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) participou da oficina para atualização da Atenção Integrada às Doenças Prevalentes na Infância (AIDPI), estratégia que completa 30 anos desde sua criação. O encontro no Instituto de Medicina Integral Professor Fernando Figueira (IMIP), em Recife (PE), por iniciativa da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS) e do Ministério da Saúde. A SBP esteve representada pela secretária-geral da entidade, dra. Maria Tereza Fonseca da Costa, e pelo presidente do Departamento Científico de Imunizações, dr. Eduardo Jorge da Fonseca Lima.
A oficina, realizado em 14 de agosto, teve como principal objetivo iniciar o processo de atualização das normativas, referências e conteúdos da estratégia AIDPI, já que a última revisão havia ocorrido há quase dez anos. Para isso, diferentes especialistas se reuniram para discutir quais conteúdos, recomendações e referências precisam ser revistos e quais novos conhecimentos devem ser incorporados, preservando a objetividade e a aplicabilidade que sempre caracterizaram a estratégia.
Segundo a dra. Maria Tereza Fonseca da Costa, a SBP se coloca agora como uma das principais interessadas na revisão em curso, coordenada por grupo técnico do IMIP, na condição de entidade médica representativa dos pediatras brasileiros. “A SBP e os pediatras precisam acompanhar e participar da atual revisão, a fim de que sua implementação envolva a nossa especialidade, aproximando-nos da melhoria da qualidade dos cuidados em saúde da criança na APS”, afirmou.
Nesse mesmo sentido, o dr. Eduardo Jorge, reforçou a importância da AIDPI para o pediatra, visto que este é referência para o recebimento dessas crianças quando necessitam de avaliação especializada ou de cuidados de maior complexidade. “Conhecer a estratégia, seus critérios de classificação e suas recomendações favorece uma linguagem comum entre os diferentes níveis de atenção, melhora a comunicação entre os profissionais e contribui para a continuidade e a segurança do cuidado”, disse.
Além disso, o pediatra destacou as diversas mudanças ocorreram que ocorreram nas evidências científicas, nas recomendações para a atenção à saúde da criança e nas políticas públicas de saúde desde 2017. “Buscamos, portanto, revisar a estratégia e adequá-la ao cenário atual sem deixar de oferecer aos profissionais que atuam na atenção primária uma abordagem integrada, prática e sistematizada da criança. É nesse primeiro nível de atenção que muitas crianças são inicialmente avaliadas, onde devem ser identificados os sinais de gravidade e estabelecida a necessidade de encaminhamento”, explicou dr. Eduardo Jorge.
Durante a oficina, além de apresentações como a da dra. Sônia Venâncio, do Ministério da Saúde, coordenadora da área que envolve a saúde da criança, foram selecionados temas do conteúdo da AIDPI para discussão em subgrupos e posterior rediscussão em plenária geral, tendo como norteadores a atualização científica e a contextualização diante das mudanças recentes nos diferentes perfis epidemiológicos.
O grupo do IMIP dará continuidade à revisão, com outros momentos de análise previstos junto a diferentes grupos, entre eles a própria SBP. “Manteremos nossa atenção, acompanhando este processo de revisão da AIDPI, 30 anos depois de sua chegada ao Brasil”, disse a dra. Maria Tereza.
TRAJETÓRIA – A SBP participou das primeiras discussões sobre a proposta da AIDPI, apresentada pela OPAS no Brasil, com apoio do Ministério da Saúde, a partir de 1996. No ano seguinte, a entidade organizou um Seminário Internacional, apoiado pela OPAS, realizado durante um Congresso Brasileiro de Pediatria, em 1997. Desde essa época até ou últimos anos, os departamentos científicos e as filiadas da SBP têm utilizado a referência do AIDPI nas estratégias de divulgação de conteúdos relacionados à Saúde da Criança e Atenção Primária.