Departamento de Nefrologia da SBP
Nem sempre a urina escura significa sangramento
O sangramento urinário pode variar do vermelho vivo ao marrom escuro, dependendo de algumas características próprias da urina e do local de origem do sangramento. O sangramento urinário deve ser confirmado por um exame de laboratório para se certificar de que seja mesmo sangue e não outra alteração da urina. Determinados remédios, alguns antibióticos, vitaminas do complexo B, alimentos como beterraba e frutas vermelhas, alimentos com corantes artificiais, podem deixar a urina com cor mais avermelhada.
As principais causas do sangue na urina
De forma geral quando o sangramento ocorre sem outros sintomas tais como inchaço, febre, mal estar e alteração do volume urinário, as causas mais prováveis estão relacionadas com alterações do trato urinário e alterações metabólicas incluindo aumento do cálcio e/ou ácido úrico urinário e/ou diminuição de citrato urinário. Estas alterações metabólicas urinárias acontecem com mais freqüência em pacientes com antecedentes familiares de ‘pedras’ ou cálculos urinários. Porém, quando o sangramento vem acompanhado por um ou mais dos sintomas acima citados, as causas mais prováveis estão associadas a “doenças renais inflamatórias” ou doenças sistêmicas com comprometimento renal (p. ex. Lupus).
Em qualquer situação, a investigação de antecedentes de doenças renais no paciente e/ou na família é fundamental para a determinação da causa do sangramento. Importa destacar que em muitas situações o sangramento é transitório, de causa inespecífica e evolução benigna. Porém, o sangramento urinário pode ser o primeiro sinal de alerta que permitirá o diagnóstico e tratamento precoce de uma determinada doença e, por isso, deve ser sempre investigado pelo pediatra ou nefrologista pediátrico.
Fralda descartável não causa infecção do trato urinário
Quando a fralda é “mal feita” ou quando o organismo da criança tem alergia a alguma matéria-prima utilizada na fralda poderão ocorrer reações alérgicas, assaduras, infecções externas e dermatites de contato na região do períneo ou da genitália. No entanto, não há correlação direta entre infecção do trato urinário e uso de fraldas descartáveis.
Infecção no trato urinário deve ser investigada
Se seu filho teve infecção no trato urinário, deverão ser investigadas malformações e a presença de lesões e cicatrizes nos rins além de disfunções na micção.
Criança pode ter pressão alta
A hipertensão arterial pode ocorrer na criança e no adolescente e pode ser classificada em 2 classes: hipertensão primária e hipertensão secundária. A hipertensão primária ocorre em crianças que não têm nenhuma outra doença porém, tem antecedentes de hipertensão e/ou doença cardiovascular em familiares pais, tios, avós. Muitas das crianças com hipertensão primária são obesas e sedentárias. A hipertensão secundária é causada por doenças que provocam aumento da pressão arterial isto é, doenças renais ou nos vasos sanguíneos, problemas cardiovasculares, endocrinológicos, tumores ou ainda outras condições clínicas menos freqüentes.
Pressão normal varia com a idade da criança
A pressão arterial normal na criança varia com idade, sexo e percentil estatural. O diagnóstico é feito com base em referências definidas por dados epidemiológicos. A determinação da pressão arterial envolve cuidados técnicos em relação aos aparelhos para aferição, a técnica e a interpretação adequada. O diagnóstico só pode ser definido pelo médico.
Os valores normais de pressão arterial constam de gráficos e tabelas conhecidas e divulgadas na literatura médica. Existem gráficos para crianças no primeiro ano de vida e tabelas para crianças e adolescentes de 1 a 17 anos de idade. Após os 18 anos a pressão arterial passa a ser classificada como estabelecida aos valores do adulto.
Alguns fatores aumentam o risco de uma criança ou adolescente apresentar ou mesmo desenvolver hipertensão arterial
Existe maior risco de ocorrência de pressão arterial alta em crianças quem têm pais com hipertensão e em crianças da raça negra, fatores estes que não podem ser alterados. Entretanto, há outros fatores que predispõem hipertensão e podem ser controlados, tais como: excesso de peso, inatividade física, excesso de sal na dieta alimentar, baixa ingestão de frutas e verduras frescas e estresse, dentre outros.
O que sente uma criança quando a pressão arterial dela está elevada? Quando os pais devem suspeitar de que seu filho pode ser hipertenso?
A melhor forma de saber se o seu filho apresenta hipertensão arterial é medindo sua pressão. Médicos e enfermeiros treinados podem medir e interpretar a pressão das crianças e adolescentes usando equipamentos adequados. Muitas crianças e adolescentes hipertensos não apresentam nenhum sintoma. Alguns pacientes, dependendo de antecedentes pessoais, do quadro familiar e das condições clínicas de base têm maior risco de desenvolverem hipertensão. Para que o diagnóstico seja feito precocemente é necessário a aferição da pressão arterial durante a consulta médica.
Os sintomas eventualmente aparecem quando a pressão arterial está muito elevada. Alguns dos sintomas e sinais que crianças e adolescentes com hipertensão podem apresentar são: tonturas, sensação de falta de ar, palpitações, náuseas, dor de cabeça persistente, fadiga recorrente, problemas cardíacos, problemas neurológicos e alterações da visão, entre outros.