20/09/2017

Toda criança passará por um atendimento médico em algum momento de sua vida, inclusive aquelas que estão desaparecidas. Partindo dessa premissa aconteceu em Fortaleza (CE), o Seminário sobre Crianças Desaparecidas, organizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), com o apoio da Universidade Federal do Ceará (UF). Na plateia, especialistas, docentes e acadêmicos de medicina discutiram por mais de três horas a dimensão desse problema e os caminhos possíveis para evitar que novos registros engrossem as estatísticas.

No evento, realizado na terça-feira (19), a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) foi representada pela presidente de sua filiada no Ceará, dra Maria Francielze Lavor. Preocupada com a temática, a qual também será abordada dentro da programação do 38º Congresso Brasileiro de Pediatria, que acontecerá em Fortaleza, de 10 a 14 de outubro, ela destacou a relevância do papel do pediatra na identificação de casos.

“Nós, enquanto pediatras, temos a função de tentar identificar nos atendimentos situações de desaparecimento e, com a conscientização sobre a importância desse trabalho sobretudo no serviço público, os médicos podem ajudar a encontrar crianças e a informar os pais sobre formas de prevenção”. A SBP – em parceria com suas filiadas – tem apoiado a iniciativa a campanha do CFM para fortalecer os mecanismos de prevenção ao desaparecimento de crianças e adolescentes, bem como as ações para que as buscas sejam realizadas de forma efetiva.

COMPROMISSOS – Nesta quinta-feira (21), a presidente da SBP, dra Luciana Rodrigues Silva, divulgará mensagem a todos os pediatras na qual evoca os compromissos dos profissionais: “A pediatria tem como característica o envolvimento do especialista com o paciente, sua família e o ambiente que os cercam, incluído escola e trabalho. A criança tem dificuldades de verbalizar e o pediatra dispõe do senso de observação e interação adequados no trato com as crianças, adolescentes e seus familiares”, alerta.  

Para o dr Lucio Flávio Gonzaga, que representou o CFM na atividade, “este é um tema instigante ao qual devemos nos dedicar para proteger nossa sociedade”. Aos presentes, ele lembrou que desde 2012 a autarquia, por meio da sua Comissão de Ações Sociais, tem buscado alertar o País para o problema do desaparecimento de crianças e adolescentes, com a ajuda de parcerias e atos públicos.

ABAIXO-ASSINADO – Os participantes do Seminário foram convidados a se engajar nesse esforço. Uma das formas apontadas é participando do abaixo-assinado, lançado pelo CFM e que conta com o apoio da SBP, que cobra a efetivação do Cadastro Nacional de Crianças e Adolescentes Desaparecidos. Segundo militantes e especialistas, o modelo atual, sob supervisão do Ministério da Justiça, é ineficaz e transfere a responsabilidade da inclusão no cadastro para os parentes da vítima.

A solicitação pede ainda que, além o registro compulsório de boletins de ocorrência, mantendo a base de dados em dia nas bases oficiais, seja feita a atualização diária do site www.desaparecidos.gov.br e promovida uma campanha permanente junto à população sobre medidas de prevenção ao desaparecimento de crianças e adolescentes.

Para aderir e divulgar o abaixo-assinado, acesse a página desenvolvida pelo CFM www.criancasdesaparecidas.org e siga o projeto no Facebook www.facebook.com/criancasdesaparecidascfm.