31/08/2026

O Hospital da Criança de Brasília José Alencar (HCB) foi habilitado pelo Ministério da Saúde como Serviço de Referência em Tratamento da Pessoa com Falência Intestinal, tornando-se um dos poucos centros do País preparados para atender, em caráter nacional, crianças com essa condição. Para a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a habilitação representa um avanço importante para a assistência pediátrica no Distrito Federal e na Região Centro-Oeste.

“Recentemente, tive a oportunidade de visitar o Hospital e pude constatar o excelente atendimento aos pacientes, uma estrutura preparada com seriedade e competência para oferecer o melhor cuidado às crianças. Por isso, recebo com felicidade e satisfação esse credenciamento, que, com certeza, fará total diferença na vida das crianças e dos adolescentes. A SBP parabeniza o trabalho e esforço de todos os pediatras e profissionais de saúde envolvidos nessa conquista e seguem elevando o padrão da assistência pediátrica no Distrito Federal e em toda a Região Centro-Oeste”, destaca o presidente da SBP, dr. Edson Liberal.

A habilitação segue os critérios da Portaria GM/MS nº 5.051, de 13 de agosto de 2024, e coloca o HCB ao lado de centros já reconhecidos pelo atendimento pediátrico à falência intestinal, como o Hospital Sírio-Libanês/Menino Jesus, em São Paulo, o Hospital de Clínicas de Porto Alegre e o Hospital Pequeno Príncipe, em Curitiba.

Segundo a dra. Elisa de Carvalho, diretora clínica do HCB, chefe do Serviço de Gastro-Hepatologia da instituição e secretária do Departamento Científico de Gastroenterologia da SBP, o credenciamento exigiu que o hospital atendesse integralmente aos requisitos técnicos, estruturais e de recursos humanos definidos pelo Ministério da Saúde.

“Com o novo status, a instituição passa a ser reconhecida junto ao Ministério da Saúde e à Central Nacional de Transplantes como unidade apta a oferecer atenção especializada, hospitalar, ambulatorial e domiciliar, a pacientes pediátricos com falência intestinal, de forma multidisciplinar. O reconhecimento também atribui ao HCB um papel de apoio técnico a outros serviços de saúde do País, com participação em educação permanente e formação de profissionais”, explica a pediatra.

De acordo com a dra. Elisa, desde a inauguração do bloco hospitalar, em 2018, o HCB presta assistência a crianças internadas com falência intestinal. Até recentemente, porém, faltava a estrutura necessária para desospitalizar esses pacientes, que dependem de nutrição parenteral e de cuidados domiciliares complexos. Sem essa possibilidade, era necessário transferi-los para os poucos centros do Brasil que já ofereciam esse tipo de assistência.

O cenário começou a mudar em dezembro de 2024, quando o primeiro paciente com falência intestinal foi desospitalizado, passando a receber os cuidados em sua própria casa. Posteriormente, o HCB firmou termo aditivo ao Contrato de Gestão com a Secretaria de Saúde do Distrito Federal (SES-DF) para ampliar o serviço de reabilitação intestinal pediátrica. O reforço orçamentário permitiu iniciar a desospitalização de outras crianças em reabilitação, possibilitando o retorno ao convívio familiar, atividades escolares, o brincar com outras crianças e reduzindo a exposição aos riscos do ambiente hospitalar. A desospitalização transforma a vida das crianças e das famílias.

A terapia nutricional domiciliar é apontada pela médica como um dos pilares do programa de reabilitação intestinal do HCB. De acordo com ela, o serviço “permite que o paciente receba alta da internação, mesmo ainda necessitando de atenção domiciliar, com suporte clínico e nutricional, consultas de enfermagem, inclusive domiciliares, acompanhamento médico, capacitação de cuidadores e fornecimento de medicamentos, materiais e insumos necessários aos cuidados em casa”.

Atualmente, o HCB acompanha oito crianças desospitalizadas em uso de nutrição parenteral domiciliar, além de outras que permanecem internadas aguardando condições para a alta.

Para a gastropediatra, o credenciamento representa um avanço por aproximar o tratamento especializado das famílias e reduzir deslocamentos, custos e interrupções no cuidado. Entre os principais benefícios, ela cita o atendimento multidisciplinar, a possibilidade de redução da dependência de nutrição parenteral, a diminuição de complicações e internações e a melhora da qualidade de vida das crianças e de seus responsáveis.

A médica resume o significado da conquista em uma frase: “Quando a ciência viabiliza o cuidado seguro e resolutivo, a criança deixa de viver apenas como paciente e volta simplesmente a ser criança, e essa é uma das formas mais humanas de tecnologia em saúde”, conclui.