O Departamento Científico de Neonatologia da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) acaba de lançar um novo documento para orientar pediatras e neonatologistas a respeito de aspectos práticos da vacinação em recém-nascidos prematuros. O texto faz uma síntese sobre como administrar as imunizações para potencializar as taxas de sobrevida e reduzir índices de mortalidade e sequelas em bebês com idade gestacional e peso extremamente baixo ao nascer.
De acordo com a publicação, apesar dos avanços de recursos técnicos e humanos desenvolvidos para possibilitar a sobrevida dos bebês pré-termos, muitas vezes a vacinação é esquecida ou adiada em função da falta de conhecimento acerca da sua segurança e resposta imunológica em recém-nascidos muito pequenos e com morbidades associadas.
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“Apesar de suas características imunológicas, não há motivos para não se vacinar ou adiar o procedimento nos prematuros. A deficiência na imunidade humoral, presente ao nascer, se reverte com o passar das semanas após o parto, o que acaba por não alterar, de maneira significante, a imunogenicidade das vacinas administradas”, destaca o texto.
Dentre os principais fatores que devem ser considerados para a aplicação de vacinas em pré-termos, destacam-se: condição clínica do paciente; local de aplicação, preferencialmente por via intramuscular; doses e intervalos das vacinas; e o calendário, que precisa ser seguido em conformidade com a idade cronológica da criança. A vacinação deve ser adiada quando a criança apresentar condições instáveis, doença infecciosa aguda, doença grave ou algum distúrbio metabólico.
EVENTOS ADVERSOS – Segundo o documento, não há contraindicação para o uso de vacinas de vírus vivos em recém-nascidos prematuros, exceto quando eles estão hospitalizados. Além disso, destaca que possíveis eventos cardiorrespiratórios adversos, como apneia, queda da saturação de oxigênio, bradicardia e necessidade de intubação traqueal já foram descritos pela literatura médica. No entanto, não existe indicação para adiar as imunizações, visto que as alterações observadas são reversíveis e transitórias.
A publicação enfatiza também que, para iniciar a vacinação do prematuro durante o período de hospitalização, a unidade neonatal deve dispor de material adequado e de profissionais de enfermagem habilitados, com experiência em imunização. Além disso, é recomendado que todos os pré-termos imunizados durante o período de internação em unidades neonatais sejam monitorados por 48 horas.
A produção do documento foi desenvolvida pelo Departamento Científico de Neonatologia, composto pelos drs. José Maria de Andrade Lopes (presidente), Maria Albertina Santiago Rego (secretária), Alexandre Lopes Miralha, Hans Walter Ferreira Greve, Maria Cândida Ferrarez Bouzada Viana, Paulo Roberto Pachi, Raimunda Izabel Pira Mendes, Remaclo Fischer Júnior e Silvana Salgado Nader.