28/06/2018

Para o secretário-geral da Sociedade Brasileira de Pediatria, dr Sidnei Ferreira, que acompanhou, em Brasília (DF), os dois dias do Encontro Nacional das Entidades Médicas (Enem), o relatório final aprovado contempla encaminhamentos importantes para o fortalecimento das lutas da categoria em defesa da saúde e do exercício ético da profissão no País.

“Como pediatra, empenhado na valorização da especialidade e comprometido com o Sistema Único de Saúde (SUS), entendo que, de forma conjunta, as principais lideranças do movimento médico estão avançando de modo articulado em torno de uma pauta de reivindicações que contempla as necessidades de profissionais e pacientes. A SBP, assim como as outras entidades de representação, está comprometida com este processo”, pontuou dr Sidnei Ferreira, que também integra a diretoria do Conselho Federal de Medicina (CFM), um dos promotores do Enem.

Para ele, o documento-síntese será importante para subsidiar a Sociedade no esforço que tem sido feito em torno da valorização dos pediatras, por meio de melhor remuneração, oferta de condições adequadas e reconhecimento de seu papel-chave na assistência às crianças e aos adolescentes. “Queremos propor ajustes nas políticas públicas. Temos que ser ouvidos pelos gestores, pois somos fundamentais para o funcionamento da rede pública e dos planos de saúde. A SBP manterá seu esforço para que o pediatra e os seus pacientes tenham a atenção merecida”, pontuou.

DEBATES – Após dois dias de intensos debates, em 26 e 27 de junho, lideranças de médicos de todo o País definiram os principais pontos de pauta em comum para os próximos anos. Além de nortear a postura da classe frente aos diversos aspectos relacionados à assistência médica à saúde, à formação médica e ao mercado de trabalho do médico, os resultados do evento comporão uma carta que será encaminhada aos médicos, à sociedade, às autoridades e aos candidatos nas Eleições Gerais de 2018.

“Chegamos ao final deste evento com um resultado exitoso, fruto de um trabalho profícuo, da experiência e do engajamento de muitos médicos brasileiros. Construímos aqui propostas concretas e convergentes aos interesses da classe e da sociedade como um todo”, disse dr Carlos Vital, presidente do Conselho Federal de Medicina (CFM), ao ressaltar ainda a importância da união das entidades médicas, sem a qual não seria possível alcançar tal resultado”.

Durante o XIII, as lideranças médicas se debruçaram sobre temas como a formação médica (graduação, pós-graduação e exames de avaliação para o exercício profissional); mercado de trabalho do médico (prestação de trabalho no SUS, o impacto do Programa Mais Médicos no mercado de trabalho, atuação no Sistema Suplementar de Saúde, e Carreira de Médico de Estado); e Assistência Médica à Saúde no Brasil (modelos de gestão de Sistemas de Saúde e financiamento).

O manifesto síntese dos debates do XIII Encontro Nacional das Entidades Médicas será apresentado ao Brasil nos próximos dias. Além do CFM, participaram da organização do evento a Associação Médica Brasileira (AMB), a Federação Médica Brasileira (FMB), a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e a Associação Nacional dos Médicos Residentes (ANMR).

DESTAQUES – Dentre outros pontos discutidos, os delegados estaduais definiram os que serão cobrados dos gestores para problemas estruturais do Sistema Único de Saúde (SUS), os quais exigem urgentes investimentos públicos em todos os níveis de assistência (atenção básica, média e alta complexidade).

Além disso, os representantes apresentaram sugestões de soluções aos problemas que interferem os rumos da saúde e da Medicina, e que contribuem para a redução de desigualdades, a promoção do acesso universal aos serviços públicos e para o estabelecimento de condições dignas de trabalho para os médicos e de saúde à população.

Como parte de uma política de interiorização do profissional, uma das propostas defendidas foi a criação da carreira de Estado do médico. Para as entidades, a carreira seria a garantia para melhorar o acesso da população aos atendimentos médicos, especialmente no interior e em zonas de difícil provimento.

Vários aspectos que permeiam a formação médica também foram votados e discutidos. A respeito deste tema, prevaleceu, por exemplo, a luta por remuneração adequada e qualificação para o corpo docente e a fiscalização das estruturas hospitalar e ambulatorial das instituições que servem de estágio às escolas médicas, bem como das condições de preceptoria. (Com informações da Assessoria do CFM).