A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), por meio do Departamento Científico de Aleitamento Materno (DCAM), participou do XVII Encontro Nacional de Aleitamento Materno (ENAM) e do VII Encontro Nacional de Alimentação Complementar Saudável (ENACS), realizados de 26 a 30 de abril de 2026, em Campo Grande (MS). Os eventos reuniram profissionais de saúde de diferentes especialidades em torno do tema “Amamentação e Alimentação Complementar Saudável: o desafio da atuação intersetorial, inclusiva e sustentável”.
A presidente do DCAM/SBP, dra. Rossiclei Pinheiro, destacou a relevância do encontro para o fortalecimento das políticas públicas de aleitamento materno. “O sucesso da amamentação depende de uma rede de cuidado multiprofissional, integrada e baseada em evidências, e quando esses profissionais compartilham a mesma linguagem técnica e os mesmos protocolos, reduz-se a ocorrência de orientações contraditórias, um dos fatores mais associados ao desmame precoce”, disse.
Os representantes do DCAM-SBP participaram de oficinas intersetoriais com discussões sobre práticas que podem interferir nos indicadores da amamentação, incluindo manejo clínico, leis de proteção legal e os desafios da volta ao trabalho. O evento também foi uma oportunidade para reforçar estratégias como a Iniciativa Hospital Amigo da Criança (IHAC); a Rede Brasileira de Bancos de Leite Humano (rBLH); a Norma Brasileira de Comercialização de Alimentos para Lactentes e Crianças de Primeira Infância, Bicos, Chupetas e Mamadeiras (NBCAL); e a Estratégia Mulher Trabalhadora que Amamenta (MTA), iniciativa conjunta da SBP com o Ministério da Saúde.
“A amamentação deve ser compreendida como uma questão de saúde pública, de equidade social e de desenvolvimento sustentável, e não apenas como um tema clínico, o que torna eventos como o ENAM espaços estratégicos para integrar ciência, assistência e políticas públicas em defesa da primeira infância”, explicitou a pediatra.
Dra. Rossiclei também chamou atenção para o papel do pediatra diante dos desafios contemporâneos, especialmente o avanço do marketing digital de produtos que competem com a amamentação. Para ela, nesse cenário, o especialista se torna uma referência ética e científica essencial para orientar decisões baseadas em evidências, fortalecer o cumprimento da NBCAL e contribuir para reduzir o impacto da desinformação disseminada nas redes sociais.
REUNIÃO – Na oportunidade,foi realizada também uma reunião entre representantes do DCAM/SBP e dos Departamentos Científicos de Aleitamento Materno da filiadas da SBP, que teve a participação de 16 pediatras.
Entre os temas discutidos, destacaram-se o Congresso Mundial de Bancos de Leite Humano, com realização prevista no Rio de Janeiro entre os dias 18 e 31 de maio de 2026, e a Semana Mundial de Aleitamento Materno 2026, cujo tema internacional é “Breastfeeding for a Sustainable Start in Life: Strengthen What Works”, ainda sem tradução oficial para o português pelo Ministério da Saúde.
A reunião também abordou a preocupação com a redução progressiva da carga horária dedicada ao ensino de aleitamento materno nos cursos de Medicina, que atualmente varia entre quatro e oito horas em muitas instituições, e os participantes reforçaram a necessidade de ampliar o espaço do tema na formação médica, considerando sua relevância para a prática pediátrica, neonatal, obstétrica e para a saúde pública.
Outro ponto de pauta foi a situação dos Comitês Estaduais de Aleitamento Materno. Foi destacado que São Paulo ainda não possui um comitê estruturado, e o DCAM-SP ficou de avaliar os próximos passos para sua criação, contando com a disponibilidade da dra. Rossiclei para apoiar o processo junto ao estado.
O grupo também deliberou pela realização de reuniões bimensais entre o DCAM/SBP e os departamentos das sociedades regionais, com o objetivo de fortalecer a comunicação, alinhar estratégias nacionais e regionais e acompanhar as demandas de cada estado.