Como aumentar nossa capacidade de ouvir e de processar a verdade? De que forma podemos ter consciência da linguagem que usamos para nos comunicar? Como assumir a responsabilidade por nossos próprios sentimentos? Essas respostas podem ser obtidas por meio da Comunicação não Violenta (CNV), uma metodologia desenvolvida por Marshall Rosenberg, na década de 1960, que busca facilitar o diálogo e melhorar a relação entre as pessoas.
Para falar sobre o assunto no âmbito da relação médico-paciente, o Pedtalks convidou a especialista em Comunicação não Violenta no Brasil, Débora Gaudêncio. Essa foi a quinta edição do programa, que contou com a mediação do psicólogo e doutor em Ciências Sociais, professor Carlos Linhares.
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Por meio da CNV, é possível observar as necessidades de cada pessoa a partir de uma investigação dos sentimentos que determinada ação provocou. “A Comunicação não Violenta também pode ser denominada por comunicação compassiva ou comunicação consciente, ou até mesmo autêntica, porque na sua base estão a empatia e a autenticidade. Com a CNV, é possível obter o equilíbrio entre as minhas necessidades e as necessidades do outro”, afirma Débora.
A especialista explica que, além da empatia, saber ouvir e não julgar são palavras-chave da Comunicação não Violenta. “Ter empatia como uma presença genuína para conseguir escutar o outro e criar um espaço de desenvolvimento, sem que seja preciso dar a solução; é ainda se questionar sobre a qualidade do meu falar e do meu ouvir, de forma honesta”, comenta.
Para lidar com situações de confronto, ela citou uma clássica frase de Marshall que diz que “toda a agressividade é uma expressão trágica de uma necessidade não atendida”. “Tentar ouvir o invisível em uma conversa difícil para continuar engajado no diálogo e ainda conseguir ter empatia pela pessoa é o grande desafio”, observa.
TRANSFORMAÇÃO – A comunicação pode transformar o mundo, ideias e perspectivas, além de ajudar a construir relações mais saudáveis. Para a presidente da SBP, dra. Luciana Rodrigues Silva, as experiências no aprendizado com a comunicação não violenta podem fazer toda a diferença na vida das pessoas.
“A comunicação é fundamental e existem estratégias para que possamos nos comunicar de maneira mais adequada e não violenta. Dessa forma, considero esse tema de grande importância para o médico pediatra e para as pessoas em geral. Muitas vezes, só do médico ouvir e de olhar de forma atenta e acolhedora, o paciente sai do consultório com uma sensação muito boa”, realça.