30/09/2021

 As doenças reumáticas foram tema do webmeeting realizado pela Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) na última terça-feira (28). Durante o evento, foram apresentados alguns dos principais tópicos sobre a temática, como sinais e sintomas da artrite idiopática juvenil (AIJ) pelo pediatra; importância do diagnóstico precoce; tratamento e monitoramento; importância do tratamento multidisciplinar; dentre outros.

O evento, que contou com apoio da AbbVie, teve a participação dos palestrantes: dra. Claudia Magalhães Saad, membro do Departamento Científico de Reumatologia Pediátrica da SBP e professora titular de Pediatria da FMB-Unesp; e dr. Claudio Len, reumatologista pediatra e professor associado do Departamento de Pediatria da EPM-Unifesp.

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Em sua fala, dra. Claudia enfatizou a importância de que os especialistas se mantenham atualizados sobre a artrite idiopática juvenil (AIJ). “À medida que se conhece melhor a sua patogênese, a classificação da artrite vem mudando ao longo do tempo. Inicialmente, classificávamos a partir do número das articulações acometidas. Hoje, com o conhecimento dos biomarcadores e com a evolução em geral, propostas atualizadas de classificação e reclassificação vêm surgindo. A forma mais conhecida dessa doença, por ser a mais frequente, é a artrite oligoartciular, que tem um início precoce, antes dos seis anos de idade”, explicou.

A médica frisou, ainda, que idealmente o atendimento à AIJ é multidisciplinar, sendo crucial a interação com a família e com a criança, além da percepção dos sintomas, para reconhecimento da doença. “Para o tratamento, enfrentamos algumas dificuldades relacionadas à heterogeneidade dessa doença; à ausência de fatores preditivos; e a um dos elementos mais importantes desde o início da nossa prática: o atraso no diagnóstico, que pode levar a sérias complicações”, analisou a especialista.

Já o dr. Claudio Len destacou, dentre vários pontos, a importância da atenção e do conhecimento do pediatra em relação à AIJ. “É o primeiro especialista que vê a criança e é aquele que pode desconfiar da doença. Diagnosticar uma criança com artrite é sempre difícil, por isso é essencial que o pediatra pense nessa possibilidade e encaminhe o paciente para o reumatologista pediatra. E, caso ele tenha uma artrite crônica que dure mais de seis semanas, é preciso que se pense na AIJ”, detalhou dr. Len.

Em sua apresentação, o especialista também buscou demonstrar, através da exibição de casos clínicos, como o exame físico e o olhar do médico são essenciais para o diagnóstico e tratamento precoces da AIJ. “O diagnóstico é essencialmente clínico e não adianta apenas exames físicos. É crucial o olhar do médico. Neste caso, por exemplo, uma paciente com AIJ tinha um hemograma normal, com fator reumatoide negativo. E isso é extremamente comum, apenas 5% a 10% das crianças com AIJ apresentam o fator reumatoide positivo”, analisou o médico.

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