Publicado em 07 de abril de 2018 – por Regina Helena Santos
A rede básica de saúde da Prefeitura de Sorocaba não possui, em seu quadro de servidores, o número de médicos pediatras necessário para garantir o adequado acompanhamento do crescimento das crianças. A situação, que não é exclusiva da cidade, tem tornado cada vez mais comum o atendimento de pacientes de 0 a 19 anos — faixa etária exclusiva da pediatria — por clínicos gerais. Na última quinta-feira, a Prefeitura anunciou que isso acontecerá, a partir de hoje, na Unidade Pré-Hospitalar (UPH) da zona norte, já que os pediatras voltarão a se concentrar na unidade oeste, na avenida General Carneiro. Porém, o problema há tempos já chegou aos bairros, onde é fácil encontrar crianças que não têm vínculo com as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) em relação ao seu desenvolvimento, por não realizar as consultas de rotina, preconizadas pelos órgãos competentes, para que cresçam com saúde. "Pediatra no postinho? Só para as crianças até os 2 anos. Depois disso, só com clínico, e mesmo assim é muito difícil conseguir consulta." Esse é o relato recorrente.
No total, são 56 os pediatras que aparecem na lista de médicos concursados da rede básica em Sorocaba. De acordo com a Secretaria de Saúde, no último concurso, em 2014, apenas cinco se inscreveram, três se classificaram e um aceitou a vaga. Segundo a presidente do Departamento Científico de Pediatria Ambulatorial da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Mariane Franco, os clínicos gerais não são proibidos de atender crianças, mas por não estarem preparados, podem se negar a fazê-lo. Já o Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo (Cremesp) confirma que, nestes casos, não estão cometendo irregularidade em sua atuação profissional. Porém, ambos indicam que a recomendação é de que o atendimento infantil seja feito pelos médicos especializados.