24/08/2018

Publicado em 29 de julho de 2018 – por Otávio Augusto

De nove vacinas prioritárias do calendário infantil, nenhuma atingiu a meta de 95% de imunização no ano passado. A maior parte delas ficou, em média, na casa dos 70%. O dado explica um fenômeno que tem preocupado autoridades de saúde: a volta de doenças consideradas controladas. Febre amarela, sarampo, difteria, tétano, coqueluche e o risco da poliomielite mostram como o desleixo com a vacinação trouxe para o Brasil enfermidades do passado, sinônimo de atraso.

No início do século 20, as doenças imunopreveníveis, como poliomielite e varíola, eram endêmicas no país. Elas causavam elevado número de casos e mortes. As ações de imunização e, especialmente, os 44 anos de existência do Programa Nacional de Imunizações (PNI), do Ministério da Saúde, foram responsáveis por mudar o perfil epidemiológico das doenças imunopreveníveis. Essa é considerada uma importante conquista da sociedade brasileira.

O presidente do Departamento Científico de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Renato Kfouri,  alerta que, em mínimos descuidos, as doenças retornam. “A lição é que o relaxamento das ações de imunização não é bom e tem seu preço. O controle e a eliminação das doenças se mantêm com a vacinação contínua. É um equívoco acreditar que as doenças não estão infectando porque deixaram de existir. Sem vacinação, os riscos de essas doenças do passado voltarem são constantes”, pondera.

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