31/07/2018

Publicado em 20 de julho de 2018 – por Itanar Melo

No começo deste inverno, um conjunto de estatísticas do Ministério da Saúde veio a público para causar estrondo. Os números indicavam uma queda abrupta na vacinação contra doenças como poliomielite, sarampo, coqueluche e difteria. Seguiu-se uma compreensível comoção nacional. Depois de um esforço de décadas para erradicar ou controlar essas e outras enfermidades graves, com investimentos pesados e amplas campanhas de mobilização popular, o Brasil via-se diante de mais um fracasso. Entreabrira uma porta para a volta de fantasmas que pareciam esquecidos no passado.

Soaram os alarmes e partiu-se para a busca de explicações. Uns atribuíram a culpa ao sucateamento do sistema de saúde pelo governo Michel Temer. Outros citaram a influência de mobilizações antivacina, que estariam circulando pelas redes sociais. Também se criticou o fim das grandes campanhas estreladas por Zé Gotinha e se diagnosticou um relaxamento por parte da população e de profissionais de saúde decorrente da sensação de segurança proporcionada por décadas de ausência, no país, de doenças que antes apavoravam as famílias.

(…)A volta do sarampo – que pode deixar um rastro de lesões oculares, complicações pulmonares e comprometimento do sistema nervoso, além de implicar risco de morte – é uma prova, segundo infectologistas e especialistas em saúde pública, de que o Brasil falhou. Se a população estivesse devidamente vacinada, os surtos não teriam ocorrido.

— As estatísticas não são precisas, e a vacinação é superior ao que aparece nesses números, mas basta ver o que está acontecendo com o sarampo para concluir que não temos a cobertura ideal — observa Renato Kfouri, presidente do Departamento de Imunizações da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).

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