A presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dra. Luciana Rodrigues Silva, ressaltou a importância de os pais manterem as cadernetas de vacinação em dia, assim como do governo garantir para a população condições de acesso às vacinas na rede pública. Essas considerações foram feitas em entrevista, concedida por ela esta semana, e que foi usada como subsídio para reportagem exibida pelo programa Jornal Nacional, da TV Globo, na terça-feira (19). Trecho da conversa foi usado no vídeo, que também ressaltou alertas recentes divulgados pela entidade.
“As vacinas são indispensáveis, porque são seguras e modificaram a epidemiologia das doenças nos últimos anos”, disse a dra. Luciana ao JN. A reportagem destacou, entre outros pontos, a preocupação dos especialistas com dados que apontam baixa cobertura vacinal no Brasil, em 2017. Segundo o Ministério da Saúde, o índice é o menor dos últimos 16 anos.
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BAIXA COBERTURA – A meta do MS é imunizar 95% das crianças até dois anos, mas os índices ficaram mais baixos, entre 71% e 84%. A situação compromete vacinas importantes, que protegem contra poliomielite, sarampo, caxumba, rubéola, difteria, varicela, rotavírus e meningite. A melhor cobertura é da vacina BCG, 91% contra a tuberculose, que geralmente é dada nas maternidades.
“O Ministério da Saúde já lançou um alerta para que todos os estados avaliem as suas coberturas vacinais, porque se nós pararmos de atingir as metas recomendadas e deixarmos as crianças desprotegidas, essas doenças voltarão a acontecer no território nacional”, disse Carla Domingues, coordenadora de Imunizações da pasta.
A presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações, dra. Isabella Ballalai, reforça o pedido: o caderno de vacinação das crianças tem que estar completo. “Boa alimentação, uma vida saudável e carinho com certeza ajuda muito, mas em relação as doenças infecciosas, a vacina é o que faz a diferença”.
PREOCUPAÇÃO – SBP divulgou um informe aos médicos e à população em decorrência do surto de poliomielite na Venezuela, na semana passada. No Brasil, a doença está erradicada desde 1990. No texto divulgado, também é defendida a importância de se reforçar a “manutenção de elevadas e homogêneas coberturas vacinais para poliomielite em nosso País (acima de 95%)”, com o intuito de mantê-lo livre da pólio até que a erradicação global seja alcançada.
No mesmo período, a Sociedade de Pediatria do Rio Grande do Sul (SPRS) também emitiu uma nota dirigida aos especialistas do Estado sobre o risco de surgimento de casos de sarampo na região. A Vigilância em Doenças Transmissíveis de Porto Alegre investiga cinco casos suspeitos da doença na cidade. Os registros têm relação com viagem de um dos pacientes a Manaus.