O Conselho Federal de Medicina (CFM) promoveu nessa quarta (1º), em Brasília (DF), a primeira edição do Fórum de Violência contra Criança. O evento reuniu especialistas para debater a gravidade da violência infantil no Brasil e o papel dos profissionais de saúde, especialmente pediatras, na sua prevenção, identificação e combate. Na oportunidade, o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), dr. Edson Liberal, representou a entidade e reforçou a relevância da promoção desse debate, tão importante quanto sensível.
“A violência contra crianças e adolescentes no Brasil permanece como uma grave e persistente violação de direitos humanos, com impactos profundos e duradouros na saúde física, mental e no desenvolvimento integral de nossas crianças. A maior parte dos casos ocorre dentro do ambiente doméstico, tendo como principais agressores pessoas próximas à vítima”, disse o pediatra.
De acordo com dados recentes do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN), do Ministério da Saúde, apenas em 2023, foram notificadas mais de 200 mil ocorrências de violência interpessoal envolvendo crianças e adolescentes. “Sabemos que esse número ainda está aquém da realidade, diante da subnotificação. A violência física, psicológica, sexual e a negligência continuam sendo formas recorrentes de agressão, exigindo de todos nós uma atuação vigilante, ética e comprometida”, continuou dr. Liberal.
O pediatra reforçou a importância da SBP nessa luta pela proteção dos direitos das crianças e adolescentes por meio da promoção de campanhas de prevenção, produção e disseminação de conhecimento científico e orientação tanto para os profissionais de saúde quanto para a população em geral. “Combater a violência é um imperativo ético. Cada caso evitado representa uma vida preservada e um futuro protegido. Seguiremos atuando de forma ativa, técnica e colaborativa, certos de que somente com união, conhecimento e ação conseguiremos transformar essa realidade”, concluiu.
Na sequência, o conselheiro federal de medicina responsável pela organização do Fórum e presidente do Departamento Científico de Imunizações da SBP, dr. Eduardo Jorge da Fonseca Lima, ressaltou a importância do diálogo entre o CFM e a SBP para qualificar a prática médica, fortalecer diretrizes e garantir que a rede de proteção funcione de forma efetiva em todo o Brasil.
“A violência contra a criança é uma das mais graves expressões de vulnerabilidade humana e exige resposta firme, articulada e contínua das nossas instituições. Sendo assim, a proteção da infância não pode ser uma responsabilidade restrita às instituições, aos profissionais da saúde e do direito. Ela precisa ser abraçada por toda a sociedade, pela família, pela escola, pela justiça, pelos gestores públicos e por cada cidadão”, destacou o pediatra.
Já o dr. Emanuel Portes Silveira Cavalcanti, presidente em exercício do CFM, trouxe em seu discurso de abertura a importância da promoção do Fórum e da presença de um pediatra para cada quatro postos de saúde da família para que se tenha um local para onde encaminhar essa população. “Estimativas do Instituto de Pesquisa Econômica aplicada do Fórum Brasileiro de Segurança Pública dão a dimensão do problema. A cada hora, 20 crianças e adolescentes de até 19 anos sofrem algum tipo de violência entre física, psicológica, sexual ou negligência. Então, este evento surge como um espaço privilegiado de debate para encontrar caminhos, alternativas, que nos ajudem a proteger aqueles que representam o futuro da nação”, disse.
AULAS – Na ocasião, estiveram presentes também outros especialistas da SBP, entre eles os dr. Sidnei Ferreira (2º diretor financeiro); dr. Donizetti Giamberardino (Diretor de Meio Ambiente Sustentabilidade); além da dra. Ana Jovina Barreto Bispo (coordenadora da Região Nordeste); e Mário Roberto Hirschheimer (membro do Departamento Científico de Bioética).
Foram debatidos ainda temas como diagnóstico e fluxos de atendimento; aspectos éticos, legais e sociais; violência digital; caminhos para a recuperação da criança vítima de violência sexual; identificação de sinais físicos e psicológicos de abuso em consultas de rotina; o papel da pediatria e da medicina de família na rede de proteção; e mais.